terça-feira, 29 de setembro de 2026

Homenagem a Gildázio Vieira dos Santos

 Em vinte e três de setembro, uma estrela se apagou,

Em Sebastião Laranjeiras, onde por tantos anos brilhou;

Partiu Gildázio Vieira dos Santos,
Homem que o povo admirou.
No povoado Mato Grosso, sua jornada começou,
Entre os campos do sertão, sua infância floresceu;
Com seus irmãos caminhando,
Muita história ali viveu.
Quando a juventude chegou, resolveu se aventurar,
Por caminhos brasileiros foi seu destino buscar;
Deixou raízes nesta terra
E novos sonhos foi plantar.
Mais tarde seguiu distante, atravessando o além-mar,
Na Suíça encontrou trabalho, força e modo de lutar;
Com coragem e esperança,
Construiu novo lugar.
Foram muitos anos vividos naquela distante nação,
Mas a saudade da terra falou mais alto ao coração;
Voltou trazendo seus sonhos,
Sua história e gratidão.
Com seu "soldi" conquistado e projetos para realizar,
Quis reviver velhos tempos que jamais pôde olvidar;
Regressou para a terra amada
Que sempre soube valorizar.
Cultivava sua horta, produzindo o seu sustento,
Entre um whisky e um cigarro apreciava cada momento;
Na bela Touro Branca passeava,
Levado pelo pensamento.
E nas lembranças passadas encontrava inspiração,
Transformando em poesias os fatos do coração;
Em versos de cordel contava
A riqueza da tradição.
Na ampla sala de sua casa gostava de imaginar,
E em simples folhas de papel suas memórias registrar;
Narrando a infância vivida,
Para o tempo eternizar.
Se algum dia me perguntarem quem foi esse cidadão,
Responderei com orgulho e sincera admiração:
Filho de Dely Vieira, homem de nobre valor,
Que honrou suas crenças com muito amor.
Gildázio esteve entre nós espalhando alegria e luz,
Deixando exemplos de vida que o tempo não reduz;
E seu nome permanecerá vivo,
Na terra que tanto o seduz.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Despedida

No último dia do ano nos braços da amada,
Presença de pessoas queridas,
Mais uma partida de futebol com amigos,
Bola nas mãos, abraço.

Depois ao chão já sem vida,
E todos a se perguntarem -- O QUE HOUVE?
O gol não terá mais suas mãos para defendê-lo,
Sua amada não o terá nos abraços.

Sua consciência se vai,
Seu corpo se desagrupa,
Farás parte agora de um novo ser.

Sua matéria estará sempre entre nós,
Seu eu em nós, nossas mentes,
Saudações merecidas na despedida.


A morte

Quando colocaremos o ponto final?
A morte não deve ser vista como vilã,
É um presente dado ao ser cansado,
Àquele que já não tem o que conquistar.

E quando chega em idade produtiva?
Dentre todas as realizações,
Sabemos que ela é a única certeza,
Por isso tentamos retardá-la.

Cada dia a menos, nossa morte,
Mais nos aproximamos da extremidade,
O último suspiro, o último olhar.

Sem nossos sentidos não a encontraremos,
Nunca saberemos responder como é morrer,
Exceto aquele que nos assiste.


sábado, 29 de dezembro de 2018

Um beija-flor

Um beijar-flor fez um ninho,
Teve dois filhinhos,
Tudo no seu ninho,
Com muito amor e carinho.

Alimentou-os até ganhar asas,
Para voar, cantar, a vida tocar,
Andar pelas flores, beijar,
Dar vida a novas vidas.

A mamãe não teve sorte,
Entrou em uma casa e não saiu,
Apenas seu corpo regressou.

Mas sua missão foi honrada,
Fez seu ninho com linho,
E cuidou muito bem dos seus filhinhos.

Nuvens

Do sofá vejo muitas nuvens no céu,
Elas são brancas como papel,
Agora com uma forma,
Depois nova imagem.

Oh nuvem quem segura teu pincel?
A cada instante que olha para ti a vejo diferente,
Um novo rosto, um animal, uma mulher, um casal,
Queria ter tempo para apreciá-la mais.

Sei que por trás de ti está o azul,
Que logo aparecerá,
Enquanto isso, pinte mais para mim.

Surpreenda-me com aquilo que nunca vi,
Force minha mente a compreender-te,
Ver aquilo que nunca vi.


Uma Fotografia

Tudo que tenho cabe em uma fotografia,
Três formas no mesmo espaço, alegria,
Talento de Deus  posso ver todo dia,
Tristeza não mora em mim, sim harmonia.

Ao fundo da imagem céu azul sorridente,
Andando estão as nuvens, eu contente,
Amor construído, esmerado, permanente,
A vida caminha a passos lentos, atente.

Penso em ser rico, mas sou,
Por muitas vezes ela orou,
Pela nossa saúde ficou.

O amanhã não me importa,
Olho apenas a carta,
O dia de mesa farta.


sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Quadro da Vida

Nascemos, obra prima da natureza,
Para alguns com caminho traçado,
Para mim uma tela em branco,
A ser preenchida por nós.

Quem dará apreço a tua tela?
Que sejas tu também curador,
Talvez nova pintura hás de fazer,
Quando te perderes nas pinceladas.

Um novo quadro há desabrochar,
Cores suaves, agradáveis, no ar,
E nos últimos rabiscos a plenitude.

Pintores da vida samos,
Cada um à sua maneira,
Com o pigmento disponível.