sexta-feira, 27 de junho de 2014

Projeto de Pesquisa




UNIVERSIDADE METROPOLITANA DE SANTOS
Núcleo EAD – UNIMES Virtual
Curso Geografia

Trabalho de Conclusão de Curso
Projeto de Pesquisa

Grupo 08 Milton Santos
Claudia Soares de Camargo da Paz;
Marcelo de Sousa Santos;
Marta Maria da Silva Mendes;
Nelma Andrade de Ramos Rodrigues;
Suzi Meire Candido Morgado.

2º semestre de 2013


I. Introdução
I.1. Tema:

Análise de Material Didático de Geografia no ensino fundamental a partir do tema Geopolítica Mundial.

I.2. Problema:

É de fundamental importância que os alunos das séries finais do ensino fundamental II, tenham acesso ao conteúdo Processo de Regionalização do Espaço Mundial em Blocos Econômicos, tema esse que precisa ser pesquisado em virtude de fazer parte dos Parâmetros Curriculares Nacionais de Geografia (PCN), no que tange aos objetivos para o quarto ciclo:

“Compreender as múltiplas interações entre sociedade e natureza nos conceitos de território, lugar e região, explicitando que, de sua interação, resulta a identidade das paisagens e lugares” (Brasil. Secretaria de Educação Fundamental. PCN: objetivos para o quarto ciclo. Brasília. 1997. p. 98).


Esse Processo de Regionalização do Espaço Mundial em Blocos Econômicos está dentro de um contexto da geopolítica mundial, com isso, estaremos analisando nos livros da coleção Araribá que vai do 6º ao 9º ano, informações que nos permita limitar o tema com foco em uma análise crítica quanto ao assunto nos livros didáticos desta coletânea, produzindo dessa forma, material didático que possa auxiliar professores em sala do ensino fundamental II geografia.

Faremos uma investigação da abordagem do conteúdo e a relevância do mesmo para as séries finais do ensino fundamental, dentro do tema que nos propomos a pesquisar principalmente nos aspectos encontrados no livro escolar de forma a analisar se realmente há necessidade de revermos de forma crítica como o autor traz a Regionalização do Espaço Mundial em Blocos Econômicos.

Ao final deste trabalho estaremos concluindo nossa avaliação quanto ao conteúdo abordado na Coleção Araribá levando em consideração seu grau de importância no processo de orientação de professores e formação de alunos no que tange ao nosso foco de trabalho nesta pesquisa e como é representado esse conceito no livro didático visto que se trata de algo idealizado e como esses conceitos podem ser interpretados pelos alunos ou idealizado.


I.3. Justificativa:

Este Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), que tem como Instituição orientadora a Universidade Metropolitana de Santos, na qual buscamos o titulo de licenciados em geografia, tem como escopo uma avaliação crítica do material didático voltado para as séries finais do ensino fundamental II, do 6º ao 9º ano, tendo como referencial para analise a coleção de livros do Projeto Araribá Geografia, coletânea organizada pela Editora Moderna, e editor responsável Fernando Carlo Vedovate.

Fernando Carlo Vedovate é Mestre em Ciências, mais especificamente em Geografia Humana, pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, também é Professor e editor de vários livros voltados para sala de aula, e será com base nos livros do 8º e 9º ano Projeto Araribá organizado por ele que iremos colocar em foco o conhecimento da geografia no que tange ao campo do processo de Regionalização do Espaço Mundial em Blocos Econômicos.

Nossa intenção, além de descrever sobre o tema, é enfatizar o ensino da disciplina de geografia na sala de aula, de forma que possamos contribuir para o exercício da docência e da formação de cidadãos críticos quanto a sua própria realidade e, assim, através deste, faremos uma análise crítica no que tange a abordagem do tema Regionalização do Espaço Mundial em Blocos Econômicos no livro didático.

Iremos, dentro da coleção citada acima, pesquisar e analisar de forma reflexiva os livros do 8º e 9º ano, os quais trazem e abordam o tema que desenvolveremos ao longo deste estudo que é Analise dos Blocos Econômicos tendo em vista produção de material voltado para sala de aula e dentro desta abordagem sintetizar o contexto histórico contido no livro didático do processo de Regionalização do Espaço Mundial em Blocos Econômicos.

Regionalização em Blocos Econômicos é uma dos principais assuntos da atualidade, fruto do sistema capitalista que vigora em praticamente todo mundo, e que se intensificou após o fim da Guerra Fria, onde o mundo encontrava-se dividido entre dois polos, de um lado o socialismo liderado pela então URSS (União Soviética) e do outro lado o bloco capitalista tendo com líder os Estados Unidos, porém sabemos que hoje temos uma Nova Ordem Mundial.

O que essa Nova Ordem Mundial tem a ver com a formação dos Blocos Econômicos? Será que é importante para os alunos do ensino fundamental II, compreenderem essa Geopolítica? Acreditamos que sim e traçaremos de forma significativa uma analogia quanto à Nova Ordem e a formação dos atuais acordos financeiros regionais e procuraremos mostrar a importância de tais ações em um mundo globalizado, com foco na analise do livro didático e tema desta pesquisa.

Diariamente vemos nos telejornais, notícias que norteiam os atuais blocos econômicos. Podemos definir esse termo como um processo de regionalização ou acordos entre países com interesses econômicos e comerciais em comum, e que esses acordos possuem graus de integração que serão colocados durante o desenvolvimento da pesquisa. Abaixo os principais blocos econômicos da atualidade de acordo com livro Projeto Araribá, 8º ano.

•          União Europeia, com 27 países-membros da UE em 2007 e os três candidatos: Iugoslávia, Croácia, e Turquia;

•          NAFTA (Acordo Norte-Americano de Livre Comércio) que conta com três nações EUA, Canadá e México;
•          O MERCOSUL (Mercado Comum do Sul) tendo como membros cinco países membros e cinco associados ao bloco em 2007;

•          SADC (Comunidade de Desenvolvimento da África Meridional);

•          ASEAN (Associação das Nações do Sudeste Asiático).

Iremos resumir o contexto histórico quanto ao sistema de integração comercial e econômica de acordo com o material de referência tendo em vista produção de material didático e angariar valor ao assunto para ser utilizado por professores em sala de aula, e para que sirva também como reflexão da prática de professor que se preocupa quanto às questões geográficas que fazem parte do panorama mundial e atual.

O livro didático continua sendo ainda um dos principais recursos usados nas redes de ensino, é através dele que se determinam os conteúdos que serão trabalhados durante o ano letivo. Uma análise mais detalhada faz com que possamos nos inteirar dos temas como os mesmos são colocados, já sabendo que o livro didático pode ser um ser um instrumento eficiente, mas cabe ao professor ter o papel de mediador no processo de ensino-aprendizagem.

Novas formas de se trabalhar e analisar conteúdos voltados para sala de aula, principalmente no ensino fundamental II que é nosso foco, faz parte de uma prática que deve ser constante pelo professor (a) visto que com a evolução da tecnologia e difusão do conhecimento por vários meios requer uma constante revisão dos seus conceitos e formas de ministrar aulas e de acompanhar a evolução de uma geração que não aceita ser simplesmente um reservatório de conteúdo, e sim que o docente busque levar a realidade, “a prática”, para sala de aula por meio de representações.

I.4. Objetivos
  • Analisar de forma crítica o conteúdo abordagem sobre os Blocos Econômicos na coleção de livros didáticos Projeto Araribá: geografia/organização Editora Moderna; obra coletiva concebida, desenvolvida e produzida pela Editora Moderna; editor responsável Fernando Carlo Vedovate. 3.ed. São Paulo: Moderna, 2010. Coletânea formada por quatro livros, porém iremos nos focar nos livros de 8º e 9º ano, voltados para as séries finais do ensino fundamental II.

  • Analisar o contexto histórico do processo de formação dos Blocos Econômicos no panorama mundial na coletânea Projeto Araribá, livros 8º e 9° ano.


  • Buscar uma definição para o termo Bloco Econômica, nos livros que farão parte do projeto de pesquisados.

  • Verificar se o conteúdo Blocos Econômicos na coletânea, livros 8º e 9º ano está de acordo com o solicitado nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN's).


II. Desenvolvimento do Projeto

II.1. Metodologia
A metodologia utilizada neste estudo será a pesquisa bibliográfica com intuído de fundamentarmos todas as análises feitas neste trabalho de conclusão de curso tendo como escopo produção de material didático para as séries finais do ensino fundamental II, e como livros a serem analisados a coleção Araribá séries finais do ensino fundamental.

Essa pesquisa bibliográfica contará com a presença de citações de autores respeitados em relação ao tema que iremos analisar que é Blocos Econômicos, tanto em livros publicados quanto em artigos científicos, de forma que possam contribuir de forma significativa para uma visão crítica quanto a abordagem desse assunto nos livros de geografia do ensino fundamental II, os quais analisaremos.

Iremos utilizar também sites oficiais dos Blocos econômicos que serão verificados durante este trabalho de conclusão de curso, para dar maior suporte teórico e assim informações mais atuais quanto aos mesmos no que se refera a quantidade membros, PIB, mudanças ocorridas, em fim, novos dados estatísticos quanto ao assunto.

Estaremos ao longo desse estudo utilizando máscara para o trabalho de conclusão de curso fornecida pela própria Universidade Metropolitana de Santos, que conta com a devida estrutura para produção e desenvolvimento do TCC ao longo do 6º semestre, sendo a segunda etapa, tendo como orientadora a Professora Mestra Regina Helena Tunes, pesquisa essa que será realizada em grupo formado por cinco alunos os quais batizaram a equipe como Grupo 8 Milton Santos.

É interessante citar que além dos demais itens que farão parte da estrutura do estudo terão ao final do desenvolvimento de todo teor a produção de um breve resumo da pesquisa de forma que possa sintetizar todo nosso trabalho de forma clara e precisa.

Dentro dessa dinâmica estaremos tirando desse resumo às palavras chaves para o entendimento do trabalho, palavras que estarão sempre em foco no intuito de analise e produção de material didático para o ensino fundamental II.

Após termos a estruturação do TCC estaremos também organizando o sumário onde constarão as partes que compõem o todo com escopo de facilitar dessa forma a orientação de que venha a apreciar nosso trabalho de conclusão de curso.

Na introdução estaremos fazendo uma explanação sobre os livros didáticos a serem analisando de forma critica que são os livros do 8º e 9º ano, da coleção Araribá, livros didáticos para séries finais do ensino fundamental, e dentro do tema de Geopolítica onde faremos uma delimitação para análise sendo o nosso foco a abordagem sobre Blocos Econômicos nos livros didáticos da coleção citada acima para fins de produção de material didático para que possa ser utilizado em sala de aula por docentes.

Estaremos ainda fazendo considerações sobre o autor responsável pela organização do material que é Fernando Carlo Vedovate, Mestre em Ciências (área de concentração: Geografia Humana) pela faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. Professor por 17 anos.

Assim colocaremos na introdução um breve relato sobre a importância do livro didático nos dias de hoje e a importância de tanto para o professor quanto para o aluno ao longo da vida escolar, e a necessidade do mesmo estar de acordo como os Parâmetros Curriculares Nacionais considerando a importância da educação para o progresso das pessoas e das sociedades, e os quais orientam a atividade exercida diariamente por professores no Brasil.

Esses Parâmetros Curriculares Nacionais foram construídos tendo em vista uma uniformidade dentro do processo educativo brasileiro, sendo assim referências nacionais que precisam ser constantemente revisados e que servem também como referencia para a produção dos livros didáticos, onde assim iremos verificar se a coleção Araribá aborda o tema da nossa pesquisa de acordo com o PCN de Geografia.

Ao final da introdução estaremos colocando ainda a relevância para os alunos das séries finais de ensino fundamental, mormente 8º e 9º ano terem em mente e de forma crítica a noção e entendimento do processo de regionalização do espaço em blocos econômicos, fazendo alguma alusão ao processo de globalização no qual também estamos inseridos.

Após introdução estaremos organizando nossa pesquisa acadêmica em capítulos seguindo uma ordem cronológica quanto ao assunto blocos econômicos na coleção a ser analisada, sendo nosso trabalho dividido em dois capítulos.

No primeiro capitulo trataremos de expor os aspectos iniciais quanto aos blocos econômicos na visão de autores presentes na nossa relação de referencial teórico para a pesquisa, estaremos também colocando uma definição para o termo bloco econômico com base nas referencias bibliográficas pesquisas por nós.
Falaremos um pouco sobre cada grupo econômico mundial fazendo nossas colocações com base em citações; criaremos um tópico para blocos da America do Sul, Central, e do Norte; Europa, África, Ásia e Oceania de forma a incluir o processo de formação de cada um e seu grau de importância do mundo, e quantidade países membros.

Trataremos, dentro deste contexto, de fazer breves colocações quanto a nova ordem mundial, ou seja, consequências do pós II guerra, organização do espaço mundial, um nova geopolítica que em conjunto como o processo de globalização deu origem aos processos de integrações entre nações tal como conhecemos hoje.

No segundo capitulo estaremos analisando o tema colocado pelo autor na página 12 “O mundo dividido: países capitalistas e socialistas”, no livro do 8º ano, com intuído de darmos fundamentação a pesquisa quanto ao inicio do processo de configuração do mundo em blocos econômicos e tecendo assim um breve contexto histórico desse processo de regionalização em blocos econômicos.

Dando continuidade, faremos uma breve alusão ao que o autor classifica como “Uma nova regionalização”, na página 28, assunto que consideramos também como base para os alunos das séries finais do ensino fundamental entender a nova configuração do mundo pós-guerra fria levando em consideração as características dos ditos países do norte e países do sul.

O tema blocos econômicos presente na página 50 o livro em analise, estaremos confrontando as características dos blocos econômicos feitas pelo autor com as colocações feitas por autores geógrafos que farão parte do nosso referencial teórico da pesquisa, e também sobre o mercado comum à União Europeia, onde acompanharemos de forma crítica a evolução desse bloco em termos de nível de integração regional.

Seguiremos nesse mesmo propósito quanto aos blocos econômicos americanos e associados presentes também nesta obra, vale lembrar que sites oficiais dessas instituições serão utilizados tendo em vista verificarmos o nível de atualização de dados presentes nesses sites e no livro didático, respeitando as considerações e objetivos contidos nos parâmetros curriculares nacionais para a disciplina de geografia.

Nesta discussão estaremos buscando ainda um posicionamento no livro didático de análise quanto ao Brasil no mundo globalizado tendo em foco a ligação desse processo de globalização com o processo de formação de blocos econômicos é de que forma nossa economia foi incluída neste panorama.

Outro ponto de analise será as grandes guerras e a guerra fria onde estares tecendo uma relação entres esses fatos e a importância e ligação deles com o processo de regionalização em blocos econômicos.

Abriremos espaço para fazermos um diálogo quanto aos principais blocos econômicos do mundo, buscando compreender a didática colocada pelo autor neste âmbito tendo em vista questionamento se estão ou foram colocados de forma adequada tendo em vista a analise do nível de compreensão do assunto pelos alunos.

Após introdução, primeiro capitulo e segundo capitulo, estaremos fazendo nossas considerações finais sobre o trabalho de forma que esteja coerente com o propósito da linha  pesquisa que produção de material didático para o ensino fundamental séries finais, sendo nosso tema análise crítica quanto ao processo de regionalização em blocos econômicos no mundo é atendendo os objetivos da pesquisa que são:

  • Analisar de forma crítica o conteúdo abordagem sobre os Blocos Econômicos na coleção de livros didáticos Projeto Araribá: geografia/organização Editora Moderna; obra coletiva concebida, desenvolvida e produzida pela Editora Moderna; editor responsável Fernando Carlo Vedovate. 3.ed. São Paulo: Moderna, 2010. Coletânea formada por quatro livros, porém iremos nos focar nos livros de 8º e 9º ano, voltados para as séries finais do ensino fundamental II.

  • Analisar o contexto histórico do processo de formação dos Blocos Econômicos no panorama mundial na coletânea Projeto Araribá, livros 8º e 9° ano.

  • Buscar uma definição para o termo Bloco Econômica, nos livros que farão parte do projeto de pesquisados.

  • Verificar se o conteúdo Blocos Econômicos na coletânea, livros 8º e 9º ano está de acordo com o solicitado nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN's).



II.2. Referencial Teórico:
Nesta etapa do trabalho de conclusão de curso estaremos fazendo o levantamento do referencial teórico da pesquisa, onde iremos descrever a abordagem de três autores quanto à temática geopolítica em suas publicações e também a qualificação dos mesmos em termos de histórico de formação e profissional.

Inicialmente estaremos expondo as colocações de José Willian Vesentini, que é doutor e livre-docente em Geografia pela Universidade de São Paulo; professor e pesquisador no Departamento de Geografia da FFLCH-USP; especialista em Geografia Política/Geopolítica e ensino de geografia, temáticas nas quais têm várias publicações e orienta alunos de mestrado e doutorado. E ainda experiência de muitos anos em escolas de nível fundamental e médio, públicas e particulares.
Vesentini, em sua obra Geografia Geral e do Brasil, publicada em 2005, traz abordagens de grande valia quanto à temática geopolítica. Nesta obra é demonstrada a importância de se fazer o estudo das relações de poder entre os Estados nacionais, tendo em vista a compreensão do espaço mundial. O autor define o termo geopolítico como a forma pela qual os Estados nacionais fazem a sua política no plano colocado por ele como espacial ou geográfico.
“São elementos de fundamental importância na geopolítica o poderio militar de cada país, os planos e os estratagemas de cada Estado para manter ou reforçar o seu poder, tanto na escala internacional quanto dentro de suas sociedades. Essa estratégia, essa técnica de planejar e executar movimentos bélicos, movimentos ligados à força militar, possui também uma dimensão espacial ou territorial: é a geoestratégia.” (VESENTINI, 2005, p. 193).

Neste contexto ele faz alusão ao termo muito conhecido quando falamos em geopolítica mundial que é: grande potência. Esse termo não se refere apenas ao potencial econômico de determinado país, ou considerado rico, uma grande potência é um Estado poderoso que para Vesentini impõem, pelas relações diplomáticas ou pelo uso do poder militar, quanto achar preciso, com foco nos seus interesses econômicos, militares e políticos, seja em âmbito regional ou mundial.

Temos ainda uma fragmentação quanto aos níveis de influência dos Estados nacionais potência média que seria uma potência regional ou grande potência que seria potência mundial, sendo esses níveis frutos de um projeto de dominação com estratégias tanto no âmbito interno quanto externo. O autor cita que parte das grandes guerras registradas na história foi por disputas territoriais tendo com objetivo o crescimento de um Estado em expansão.

Descreve também que o gasto com um dos elementos para no processo de um país se tornar uma potência tem havido um mudança na concepção quanto aos investimentos nele que é o poderio militar, visto que consome grandes gastos e que de certa forma não melhora a qualidade de vida dos membros dessas nações onde o nível de gastos para fins militares são exorbitantes.
“A esse respeito foi exemplar o caso da União Soviética, que era uma superpotência militar. Para se manter como tal, acabou sacrificando a economia civil. Os maiores recursos iam para gastos militares, assim como os melhores cérebros do país trabalhavam para o exército. Isso custou para esta nação a própria posição como grande potência mundial, pois com o tempo foi se desenvolvendo bem menos que os Estados Unidos, o Japão, a Alemanha ou a China.” (VESENTINI, 2005, p. 193).

Essa atitude custou à própria sobrevivência da então União Soviética, que veio a ruim em meados dos anos 80, visto que não estava conseguindo acompanhar a evolução e desenvolvimento de países com Japão, Estados Unidos,..., e tendo como reflexo disso uma baixa qualidade de vida dos seus habitantes comparada a dos países já citados na penúltima linha deste parágrafo.

Considerando o processo para se tornar uma grande potência o Japão demonstrou que não é preciso ser gigante em termos de território, não é necessário ter grande exército ou mesmo armas químicas. O diferencial do Japão foi de priorizar a educação, pesquisas, e assim a qualificação dos seus trabalhadores e com métodos modernos de produção e controle de qualidade.

Um novo tipo de guerra é descrita por Vesentini para o século XXI, trata – se disputas econômicas entre blocos econômicos ou entre potências regionais ou mundiais, tendo em vista o crescimento e expansão dos seus negócios ou mesmo obtenção de matéria prima para produção e novas tecnologias.

“Com a atual revolução técnico – científica, os recursos naturais, inclusive o tamanho do território, passam a ter um menor peso que no passado, embora ainda sejam importantes. Isso que dizer que hoje, para os países desenvolvidos, a disputa por mercados ou por novas tecnologias é muito mais importante que a disputa por territórios.”(VESENTINI, 2005, p. 194).

Temos exemplos de disputas com poderio militar excessivo, que por fim não se logrou bons resultados para manter - se como potência, como guerra do Vietnã onde os Estados Unidos da America tiveram que se retirar em 1974, sem atingir seus objetivos que eram impor o sistema capitalista ao país acontecendo o mesmo com a União Soviética na guerra do Afeganistão em 1989. Com isso percebemos que nem sempre é possível atingir determinados fins por meio bélico.

“Mesmo com um maior peso da economia e da tecnologia, é claro que uma grande potência mundial também deve ter boa capacidade de defesa. Sempre há o risco de invasões por outros Estados, que, às vezes, tentam resolver sua crise por meio da guerra nesse caso, a guerra é vista como uma forma de unir o povo, inclusive as oposições, contra o inimigo comum).”(VESENTINI, 2005, p. 1995).

O poderio militar de um país também é usado para defender seus interesses no exterior principalmente tratando – se de investimentos, petróleo, matérias primas, mercados, ou mesmo relação com outros países que são essenciais para a manutenção e sobrevivência de uma grande potência no cenário internacional. Podemos citar com base nisso o posicionamento dos Estados Unidos em relação aos conflitos internacionais ou mesmo sua intervenção.

Finalizando o item poderio militar fica claro que uma grande potência não precisa colocar em primeiro lugar gastos com exército, e muito menos esforços para grandes investimentos em armamento nuclear. Visto que há outras formas de ameaça como descrito pelo autor os grupos terroristas e as máfia internacionais, exigindo dessa forma outro tipo de defesa.

Temos ainda dentro da temática de geopolítica mundial as relações de força no mundo pós – guerra fria, conflito esse que foi caracterizado pela disputa ideológica, econômica, política, militar e bipolar entre o bloco capitalista liderado pelos Estados Unidos e o bloco socialista liderado pela União Soviética, tendo chegado seu fim em 1989, com o fim da União Soviética e assim tendo como consequência a abertura da maioria das economias dos países que faziam parte desse bloco.
Com essa nova configuração os Estados Unidos têm tomado algumas atitudes ou decisões de forma unilateral vindo assim a corroer de certa forma a sua imagem no espaço global prejudicando assim sua diplomacia junto a outros países principalmente junto aos não aliados.

“... nem mesmo uma superpotência militar sem adversários à altura pode agir sozinha sem levar em conta os interesses de uma boa parte do mundo; quando ela tenta fazer isso, o resultado é um perigoso aumento da instabilidade com a multiplicação de atos terroristas, de ruidosos protestos em inúmeros países (até mesmo nos Estados Unidos),etc.”(VESENTINI, 2005, p. 197).

O termo unimultipolar é utilizado por Vesentini para definir que a pesar dos Estados Unidos serem a única superpotência no momento com grande poderio político e militar, coloca que do ponto de vista econômico, tecnológico e cultural existem vários centros mundiais de poder como Japão, França, Reino Unido, Alemanha e Itália.

Neste sentido temos em ênfase o poderio econômico – militar e a nova ordem mundial, aspectos que retratam justamente o mundo pós - guerra fria e sua reestruturação geopolítica mundial surgindo dessa forma outras potencias em termos econômicos e políticos além da superpotência que Estados Unidos, sendo seu poderio militar alimentado e dependente da economia.

Como um exército é importante tendo em vista a proteção de uma nação contra outras VESENTINE, 2005, p. 200, expõem que o Japão e Alemanha já deveria ter sua força militar ampliada por serem grandes potencias em termos econômicos no panorama mundial. Coloca também uma união em termos militares entre tropas da Alemanha, do Reino Unido, da França, e da Itália sendo assim uma unificação de poderio militar entres esses Estados europeus.

Na nova ordem mundial a China vem se destacando pelo seu crescimento econômico ao longo do século XXI, e com isso se modernizando militarmente e sendo o autor, possui bombas atômico sendo este Estado um dos com possibilidades de ser tornar um grande potencia e assim com poderio e influência para competir com os Estados Unidos no decorre deste século.

Neste panorama surgi também o denominado “armas inteligentes”, com possibilidade de programação através de satélites e GPS, sendo usadas com mais precisam contra alvos. Essas novas armas tem a vantagem de se tentar atingir de forma precisa o alvo determinado evitando dessa forma a morte de inocentes ou mesmo destruição total de pontos militarmente não estratégicos como aconteceu em Hiroshima durante a Segunda Guerra Mundial.

“Pela primeira vez na história, a televisão transmitiu ao vivo as imagens de mísseis e bombas guiados a laser, procurando e atingindo o seu alvo com impressionante precisão.” (Vesetini, 2005, p. 201).

As novas técnicas de guerra valorizam a tecnologia e não mais a força bruta com utilização de frentes de batalha com soldados, o cenário de guerras atuais é marcado pelo intenso uso da informática e da presença da mulher na Marinha, Aeronáutica e Exército.

“Hoje, por trás de um piloto de avião moderno existe um treinamento de vários anos com o custo de milhões de dólares. E o piloto nunca é executante isolado na cabina. É parte de um complexo sistema apoiado por operadores de radar, por peritos em guerra eletrônica em terra e no ar, por oficiais do planejamento e do serviço de inteligência, por analistas de dados e pelo pessoal de telecomunicações.” (Vesentini, 2005, p. 201).

A guerra cibernética também faz parte deste contexto de globalização é geopolítica, sendo a internet usada para acesso e controle de redes, incluindo vários recursos para operacionalização de aviões e computadores tanto para fins comerciais quanto para guerras, sendo também instrumento de espionagem em relação a outros países, como aconteceu recentemente com Brasil.

“O ciberespaço ou espaço virtual (da internet ou de intranets, ou seja, de redes de computadores que usam recursos de multimídia, com imagens, sons e escrita) tornou – se fundamental na guerra em virtude da enorme importância militar dos computadores e de suas redes para a circulação de informações ou ordens, para ligar aviões aos navios ou bases locais no país de origem, etc.”(Vesentini, 2005, p. 201).

Com a nova ordem mundial e o fim da bipolaridade entre bloco capitalista x bloco comunista as guerra não chegaram ao fim, sugiram novos focos principalmente no Oriente Médio e África onde ocorrem disputas territoriais, por questões políticas envolvendo principalmente Estados totalitários. Há uma insatisfação desses povos quanto ao posicionamento dos Estados Unidos visto que este países tem usado seu poderio militar de superpotência para seus benefícios próprios e de aliados.

É de grande relevância as colocações do autor quanto ao novo cenário que envolve as bombas atômicos sendo que hoje há um certo controle sobre elas mesma havendo ainda países com arsenal ainda não declarado junto ao Clube Atômico e um esforço global no sentido da diminuição das mesmas tendo em vista evitar catástrofes  internacionais envolvendo bombas nucleares.

Vesentini em seu texto “O que é geopolítica e geografia política?”, afirma que o termo geopolítica é algo que diz respeito ás disputas de poder no espaço mundial, neste sentido chamamos atenção para as disputas em termos econômicos partindo para um processo de regionalização ou dominação do espaço a partir da formação de blocos econômicos.

Com o processo de globalização e a formação dos blocos econômicos Vesentini vê de certa forma o enfraquecimento do Estado - Nação visto que no atual cenário internacional os países já não conseguem tomar certas decisões sozinhas, estão ligados a outros e dividem seu poderio com algumas organizações.


“Ele ainda é importantíssimo e provavelmente vai continuar a ser durante todo século XXI, mas já divide uma boa parte do seu poder com outras organizações que se multiplicam: o mercado global, o sistema financeiro internacional, os blocos ou mercados regionais, as organizações internacionais e as organizações não governamentais (ONGs), entre outras.” ( Vesentini, 2005, p. 206).

Nesta obra de José William Vesentini temos informações quanto a formação dos mercados regionais, assunto esse de extrema importância para pesquisa que iremos desenvolver tendo como tema o processo de regionalização em blocos econômicos, e levar essas consideração para analise para nossa análise em relação à coleção de livros didáticos que nos propusermos a verificar seu conteúdo no que tange ao assunto blocos econômicos, ou megablocos.

Esse processo é visto como uma etapa da globalização no qual fica muito clara a interdependência entre países e povos, um constante crescimento e ampliação do comercio mundial sendo uma grande integração em termos de mercando visto que as comercializações não ficam restritas somente ao bloco e possibilidade negociação e outros tornando – se mega bloco global.

Dentro do contexto da análise crítica dos livros didáticos voltados para as séries finais do ensino fundamental temos os seguintes blocos econômicos como os mais importantes e presentes no panorama econômico mundial e que também fazem parte no processo de globalização que tem como ramificação a multilateralização das relações de comércio em âmbito maior com sua expressão na Organização Mundial do Comércio.

A União Européia é o bloco econômico que encontra – se com estágio ou nível de integração mais elevado, a denominada União Econômica Monetária sendo a etapa mais avançada até o momento alcançada.



“Nascida na década de 1950 como Mercado Comum Europeu (MCE) e também conhecida como Comunidade Econômica Européia (CEE), a União Européia (UE) foi pioneira. O seu sucesso forneceu o exemplo a ser seguido pelo restante do mundo. O MCE passou a ser chamado de União Européia em 1993, depoisde o Tratado de Maastricht foi aprovado pelos países membros. Foi graças ao seu avanço bem-sucedido que os demais países procuraram criar outros mercados regionais, outros exemplos de integração econômica regional ou continental.” (Vesentini, 2005, p. 211).

Na América do Norte temos a presença do Nafta, acordo econômico entre Estados Unido, Canadá e México, para fins que consistem na eliminação das barreiras tarifárias e não – tarifárias que incidem entre os países membros sendo estas características do nível de integração que podemos classificar como zona de livre comércio.

“Outro exemplo de progressiva integração econômica ocorre na América do Norte, entre Estados Unidos, Canadá e México. Trata – se do Acordo de Livre – Comercio da América do Norte (Nafta), assinado por esses três países em 1993. Em conjunto, eles somam cerca de 400 milhões de habitantes, que geralmente são consumidores de elevado poder de compra (com exceção de grande parte da população mexicana).” (Vesentini, 2005, p. 212).

Temos na Apec – Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico, um fator relevante e moderno no processo de integração visto que os países membros fazem parte não apenas de um continente, as fronteiras territoriais não foram consideradas.

“(...). Trata – se da Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico ( Apec). São quinze os membros fundadores da Apec: Japão, Estados Unidos, China, Canadá, Tailândia, Taiwan, Hong Kong, Cingapura, Brunei, Malásia, Indonésia, Filipinas, Austrália, Nova Zelândia e Coréia do Sul. Também integram esse bloco México, Chile, Papua – Nova Guiné, Vietnã, Rússia e Peru.”( Vesentini, 2005, p. 213).

No contexto de um mundo globalizado e o crescente processo de integração mundial em blocos econômicos, temos o Brasil com um dos fundadores do chamado Mercado Comum do Sul ( Mercosul).

“Também na América do Sul constituiu – se o Mercado Comum do sul ( Mercosul), formado em 1991 por Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. Bolívia, Chile, Peru, Equador, Colômbia e Venezuela também participam, mas na condição de membros associados (e não membros plenos).”(Vesentini, 2005, p. 214).

Mesmo sendo o continente mais pobre do planeta temos a presença da regionalização do espaço em blocos econômicos também presente da África, e que assim nos permite dizer que realmente trata-se de uma ação ou processo que busca conectar todo o mundo, um economia mundial/global, porém não podemos fechar nossos olhos para a compreensão de que a união se faz em virtude de certo grau de afinidade quanto a alguns princípios ou objetivos políticos e econômicos.

“Até mesmo na África formou – se um bloco comercial, a Comunidade Econômica Africana (CEA), instituída em 1991 e relançada em 1997, que procura criar um espaço econômico unificado no continente.”(Vesentini, 2005, p. 214).

Neste segundo momento do referencial teórico da pesquisa estaremos trabalhando com a obra do autor Roberto Filizola. Ele é de Porto Alegre/RS, formou-se em Geografia pela Universidade Federal do Paraná e também é mestre pela Universidade de São Paulo. É autor de obras didáticas voltadas para o ensino e metodologia da Geografia.

Inicialmente no contexto da geopolítica o autor descreve que a forma as formas de regionalização do espaço mundial mudou, para ele essa processo deixou de levar em consideração as características físicas do espaço dando lugar para características políticas e econômicas nas abordagens dos livros didáticos de geografia.
“Além da desintegração do bloco socialista, outros dois aspectos justificam a inviabilidade dessa regionalização. Primeiro, que uma verdadeira corrente migratória, proveniente das antigas colônias aflui para os países ditos desenvolvidos desde os anos 1960. Com isso, grandes centros metropolitanos, como Nova York, Londres, Paris, Los Angeles, Tóquio, entre outros, abrigam milhares de famílias de imigrantes, muitos dos quais ilegais, imprimindo novas marcas nas paisagens do ‘Primeiro Mundo. Ou seja, aquilo que se convencionou chamar de Terceiro Mundo já não está mais restrito às áreas originais, tendo se projetado para o planeta.” (Filizola, 2005, p. 187).

Os países de primeiro mundo têm investido massiçamente em tecnologias e ponta e controle da informação, fatores que o autor considera como fundamentais em termos de poder no cenário internacional, porém nem todos os países conseguem ter esses dois pontos, controle da informação e tecnologia de qualidade a ponto de competir com países mais industrializados que investem muito na qualificação de seus cidadãos, continuam na produção de bens que não exigem tanta tecnologia.

Para Filizola o processo de regionalização se apoia na forte ligação entre as fronteiras de países membros e que se fortalecem dentro do processo de globalização surgindo assim novos atores, ou seja, potências regionais, e as relações econômicas, políticas e comercias ganham uma escala de nível global.

O processo de globalização na obra de autor é visto como algo contínuo e fruto de um mudo moderno, trazendo uma colocação diferenciada quanto a esse conceito em relação outros autores que abordam essa temática em livros e artigos.

“Como bem sabemos, a globalização é um processo contemporâneo, melhor dizendo, é próprio do século XX e do atual. Não se trata, portanto, da algo iniciado nos primórdios da humanidade ou das Grandes Navegações; tampouco que esteja concluído. Por outro lado, é inegável que se trata da plena internacionalização do mundo capitalista. Sendo assim, trata – se de um conjunto de situações que possibilitaram a formação de um mercado global e de uma economia de fato globalizada (ou mundializada).”(Filizola, 2005, p. 190).

Na geopolítica mundial surgem atores de grande relevância no cenário global capazes de influenciar a tomada de decisões em relação a questões políticas, econômicas, humanitárias,..., decisões essas que só cabia aos Estados ou grupos de Estados Nacionais.

“Isso significa dizer, portanto, que novos atores internacionais, ou melhor, globais, se fazem presentes. Trata – se não apenas das empresas transnacionais e de instituições oficiais igualmente transnacionais (ONU, FMI, Banco Mundial, etc...). Estamos nos referindo às igrejas, às ONGs, ao terror, entre outros.” (Filizola, 2005, p. 190).

Os blocos econômicos surgem na geopolítica em virtude de acordo entre países em vista proteção de mercado tendo como lideres os países com maior poderio militar, na maioria dos casos, porém sabemos que para a formação deles tem de haver um certo nível de igualdade ou de interesses entre os países membros, igualdade que pode ser de caráter político, econômico ou social.

Filizola cita em sua obra o geógrafo Rogério Haesbaert, que faz uma abordagem do classificado por ele de blocos internacionais de poder, uma nova possibilidade de regionalizar o mundo, com três grandes blocos: Bloco Americano, coupando toda America, Bloco Europeu que inclui a África, e Bloco Oriental ou Sino – Japonês que inclui Oceania.

Nos escritos do autor também encontramos posicionamento quanto aos blocos econômicos existentes hoje tal com observamos nos meios de comunicação do dia – a – dia, a começar pelo bloco europeu.

“O bloco europeu é, sem dúvida, o que se encontra melhor estruturado. Afinal, a constituição de um mercado comum remonta a 1952, ano em que, a Ceca (Comunidade europeia do carvão e do aço) tornou – uma realidade, integrando a Bélgica, Luxemburgo, Holanda, Alemanha Ocidental França e Itália. Essa comunidade significou o inicio da integração europeia na medida em que buscava definir uma política de eliminação de barreiras alfandegárias e certas restrições ao desenvolvimento das atividades ligadas à siderurgia. De lá para cá o processo de integração só fez se intensificar. Melhor dizendo, o processo encontra – se plenamente consolidado em torno da chamada União Européia que, em 2004 passava a contar com 25 países membros e continuava aberta a novas adesões.”(Filizola, 2005, p. 191).

O autor não deixa claro um posicionamento quanto ao processo de regionalização econômica na Ásia de forma genérica, pois não especifica os blocos existentes ou que fazem parte do continente.

“O bloco asiático é bastante dinâmico e ao mesmo tempo cercado de muitas incertezas em razão das rugas deixadas pelo Japão durante o período em colonizou vastas áreas da região do Pacífico, na primeira metade do século XX. “( Filizola, 2005, p. 192).

A divisão do mundo entre países do Norte e países do Sul também é colocada pelo autor como uma nova forma de caracterização do espaço global em termos políticos e econômicos que não retrata a realidade de forma precisa visto que definir o que é desenvolvido não é fácil.

“Na atualidade, tornou – se comum a utilização do termo Norte para designar o conjunto de países do Primeiro Mundo, isto é, os países desenvolvidos. Contudo, algumas incertezas persistem, já que definir o que é um país desenvolvido é tarefa relativamente complexa. Com isso, alinha demarcatória Norte-Sul não pode ser tomada como algo preciso, ou seja, há uma generalização no seu traçado.”(Filizola, 2005, p. 204).
No nosso referencial teórico temos como terceiro autor José Pedro Teixeira Fernandes, Licenciatura em Direito pela Universidade Católica do Porto (1988). Mestrado em Estudos Europeus pela Universidade do Minho (1993). Doutoramento em Ciência Política e Relações Internacionais pela Universidade do Minho (2001). Professor-coordenador do ISCET – Instituto Superior de Ciências Empresariais e do Turismo, Professor Auxiliar do ISLA – Instituto Superior de Línguas e Administração.

Em seu artigo “Da Geopolítica clássica a Geopolítica pós-moderna: entre a ruptura e a continuidade,” Fernandes, faz um traçado historio sobre a Geopolítica mundial, principalmente tendo do como cenário o continente europeu, questionando também quanto ao seu poder de influência no que tange as relações internacionais e faz uma analise critica do que ele classifica de Geopolítica pós-moderna é a origem deste termo.

“Um primeiro aspecto relevante na análise da Geopolítica clássica é o da origem da própria palavra «Geopolítica». Embora haja divergências quanto ao momento exacto em que esta foi utilizada pela primeira vez, é consensual, no âmbito dos estudos académicos desta disciplina, que o neologismo foi originalmente cunhado, no crepúsculo do século XIX, pelo sueco Rudolf Johan Kjellén, professor das Universidades de Gotemburgo e Uppsala.” (Fernandes, 2002, p. 2).

O autor descreve o momento da separação teórica entre geografia política e geopolítica, sendo geopolítico um entendimento o poderio antes militar e agora econômico-tecnológico, cutural e social em um escala global, já geografia política, trata – se de uma visão ou domínio do Estado em relação a organização do espaço.

“É ainda importante notar que os trabalhos de Haushofer surgiram no contexto deum grande debate que, nos anos 1924-1925, estalou entre a comunidade de geógrafos alemães e que opôs os defensores da Geografia Política clássica, na linha de Ratzel, aos defensores de uma nova Geopolítica. Karl Haushofer foi um dos principais protagonistas desse debate. Num artigo que ficou famoso nos anais desta polémica, precisamente intitulado Politische Erdkunde und Geopolitik («Geografia Política e Geopolítica», 1925), começou por sustentar a necessidade de difundir o conhecimento geopolítico, como saber estratégico, entre a elite dirigente alemã (políticos, diplomatas e militares) e a população em geral. E, para isso, era necessário romper com a tradição geográfica anterior, pois, a disciplina tinha-se constituído de uma maneira errada, sobre o dualismo Geografia Física/Geografia Humana, sendo o trabalho de Ratzel, embora indiscutívelmente importante, já ultrapassado. Então, traçou uma distinção entre a Geografia Política, que estuda a distribuição do poder estatal à superfície dos continentes e as condições (solo, configuração, clima e recursos) nas quais este se exerce, e a Geopolítica que tem por objecto a actividade política num espaço natural.” (Korinman, 1990: p. 155 apud Fernandes, 2002, p. 5).

Fernandes trás posicionamentos em relação a geopolítica com algo ideológico e criado para justificar ações de Estados em relação aos demais como por exemplo as grandes guerras mundiais.

“Por sua vez, com os desenvolvimentos da II Guerra Mundial e a crescente atenção prestada pelos media à Geopolítica aumentou a notoriedade de Bowman. No discurso público norte-americano era referido correntemente como «o nosso» geopolítico; e, simultaneamente, gerou-se nos media uma tendência espontânea de o qualificar como o «Haushofer americano» o que, por razões patrióticas e académicas compreensíveis, irritou o geógrafo. E, por reacção a esta «ligação perigosa», Isaiah Bowman publicou um influente artigo na Geograghical Revue, em Outubro de 1942, intitulado Geography versus Geopolitics, onde afirmava que «a Geopolítica representa uma visão distorcida das relações históricas, políticas e geográficas do mundo e das suas partes... os seus argumentos tal como são desenvolvidos na Alemanha servem apenas para sustentar o caso da agressão alemã.” (Isaiah Bowman citado por Ó Tuathail, 1996: 154, apud Fernandes, 2002, p. 10).

Segundo Fernandes o termo Geopolítica ficou por quase três décadas banido em virtude de discussões teóricas quanto ao assunto.

“... o uso da palavra Geopolítica foi praticamente banido durante três décadas, encerrando-se, assim, aquilo que parafraseando um conhecido título de Alvin Toffler, podemos designar como a «primeira vaga» da Geopolítica.” (Fernandes, 2002, p. 12).
Para ele essa palavra volta a ser usa com força durante os anos 70, com surgimento de guerras por questões ideológicas diferente do cenário da segunda guerra mundial, levando – se em consideração a um espaço global bipolar entre Capitalismo X Socialismo, estando dessa forma a palavra Geopolítica na moda, e coloca em foco a importância do professor Yves Lacoste com sua obra ‘La Géographie ça sert d´abord à faire la guerre’, fazendo um ruptura quanto ao conceitos até ali existentes.

III. Referências Bibliográficas:
Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN). http://www.asean.org/asean/about-asean/history. Acesso em: 13/10/2013.

Acordo Norte-Americano de Livre Comércio (NAFTA). Disponível em: http://www.camara.gov.br/mercosul/blocos/NAFTA.htm. Acesso em: 13/10/2013.

Bauman, Zygmunt. Globalização: as consequências humanas; tradução Marcus Penchel.-Rio de Janeiro: Zahar, 1999.

Benko, Georges. Revista do Departamento de Geografia, mundialização da economia, metropolização do mundo 15 (2002) 45–54.

Brasil. Parâmetros Curriculares Nacionais: geografia. Brasília, 1998, p. 156.

Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC). http://www.sadc.int/about-sadc/overview/. Acesso em: 13/10/2013.

Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC). http://www.apec.org/FAQ.aspx. Acesso em 13/10/2013.

Morais Júnior, Devani de. Comércio internacional: blocos econômicos. / Devani de Morais Júnior; Rodrigo Freitas de Souza. - Curitiba: ibpex, 2006, 147 p.: il.

Menezes, Alfredo da Mota. Integração regional: blocos econômicos nas relações internacionais/Alfredo da Mota Menezes, Pio Penna Filho. - Rio de Janeiro: 2006.

Machado, José Luiz. Blocos econômicos no panorama mundial: análise geográfica e econômica, ed. Ibpex, 2011.

MAGNOLI, Demétrio. O que é Geopolítica. 2ºed. Ed. Brasiliense. 1988. 74p.

O Mercosul. http://www.mercosul.gov.br/saiba-mais-sobre-o-mercosul. Acesso em: 13/10/2013.

Petry, Almiro. Globalização e blocos econômicos. UNISINOS, sine loco, 2008, p.1 – p. 15.

Santos, Milton. Por uma outra globalização do pensamento à consciência universal. 6 ed. Record. Rio de Janeiro. 2001.

Santos, Clézio. A cartografia nos livros didáticos de geografia: contrapontos de uma pesquisa. Ver. Ciênc. Hum, Taubatê, v.9 p. 107 – 114 2003.

Silva, Dakir Larara Machado da. A geografia que se ensina e a abordagem da natureza nos livros didáticos. UFRS, 2004.

UNESP. Formação de Docentes. 2011.

União Européia. Disponível em: http://europa.eu/about-eu/index_pt.htm.  Acesso em 13/10/2013.  

Vesentine, José William. Geografia: geografia geral e do Brasil, 1 ed. São Paulo: Ática, 2005.

______________________. Nova Ordem, imperialismo e geopolítica global. Campinas-SP: Parirus. 2003.














CRONOGRAMA DO TCC 1
ATIVIDADES PREVISTAS
2013
jul
ago
set
out
nov
dez
Formação do grupo
Elaboração do pré- projeto (tema e problema)
Reelaboração do pré-projeto de acordo com as considerações do professor
Delimitação do problema e Justificativa
Definição dos objetivos e metodologias
Definição de referencial teórico, cronograma e referencial bibliográfico
Revisão e reelaboração do projeto final
Recarregar as baterias para escrever a monografia no próximo semestre

CRONOGRAMA DO TCC 2
ATIVIDADES PREVISTAS
2014
jan
fev
mar
abr
mai
jun
Leituras sobre o tema para desenvolver a monografia.
Rever o projeto TCC 1 e entregar ao orientador para análise inicial.
Reescrevendo do pré-projeto de acordo com as considerações do orientador.
Elaborando as primeiras etapas da monografia, como esboço do sumário, introdução e primeiro capítulo.
Reescrevendo as primeiras etapas da monografia de acordo com as considerações do orientador.
Elaborando a segunda etapa da monografia, com segundo capítulo, considerações finais e referências bibliográficas.
Reescrevendo a segunda etapa da monografia com as considerações do orientador.
Entrega da versão final da monografia para avaliação do orientador.
Revendo a versão final segundo as considerações do orientador.
Entrega da versão final da monografia para última avaliação.
Apresentação oral da monografia no pólo.



ANÁLISE E PRODUÇÃO DE MATERIAL DIDÁTICO DE GEOGRAFIA


UNIVERSIDADE METROPOLITANA DE SANTOS

NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

FACULDADE DE EDUCAÇÃO E CIÊNCIAS HUMANAS

CURSO DE LICENCIATURA EM GEOGRAFIA
                        



Marcelo de Sousa Santos;
Nelma Andrade de Ramos Rodrigues;
Rute Maria de Sousa;
Suzi Meire Candido Morgado;
Suelha Vieira de Jesus.

GEOPOLÍTICA MUNDIAL – ANÁLISE E PRODUÇÃO DE MATERIAL DIDÁTICO DE GEOGRAFIA









SANTOS

 
2014

UNIVERSIDADE METROPOLITANA DE SANTOS

NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

FACULDADE DE EDUCAÇÃO E CIÊNCIAS HUMANAS

CURSO DE LICENCIATURA EM GEOGRAFIA


                         Marcelo de Sousa Santos;
Nelma Andrade de Ramos Rodrigues;
Rute Maria de Sousa;
Suzi Meire Candido Morgado;
Suelha Vieira de Jesus.

GEOPOLÍTICA MUNDIAL – ANÁLISE E PRODUÇÃO DE MATERIAL DIDÁTICO DE GEOGRAFIA


Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Faculdade de Educação e Ciências Humanas UNIMES, como parte dos requisitos para obtenção do título de Licenciado em Geografia, sob a orientação da (o) Prof.


                                                   SANTOS

 
                                                     2014
RESUMO

O presente trabalho de conclusão de curso tem como escopo a abordagem da Geopolítica Mundial nos livros didáticos de 8º e 9º ano do Projeto Araribá, organizado por Fernando Carlo Vedovate, sendo analisado de forma crítica o conteúdo “Processo de Regionalização do Espaço Mundial em Blocos Econômicos” visando verificar imagens, linguagem, atividades, capa, apresentação da obra, sumário, e demais itens de grande valia para que o livro didático se torne uma ótima ferramenta para auxiliar o professor no processo de aprendizagem dos alunos e aprimoramento do docente, além verificarmos se esses livros estão de acordos com os parâmetros curriculares nacionais de geografia para o ensino fundamental II.

PALAVRAS CHAVE: Geopolítica Mundial, Bloco Econômico, PCN’s e Livro Didático.



















SUMÁRIO

INTRODUÇÃO....................................................................................................      5
CAPÍTULO 1 - Geopolítica Mundial: Processo de Regionalização do Espaço Mundial em Blocos Econômicos.........................................................................     7
1.1 - Tipos de integração dos blocos econômicos mundiais...............................     7
1.2 - Principais blocos econômicos mundiais: União Europeia, Mercosul e Nafta.  10
CAPÍTULO 2 -  Análise  da  Coleção  de  Livros Didáticos de Geografia "Projeto Araribá" Editado por  Fernando Carlo Vedovate................................................. .. 13
2.1 - Análise  da  Abordagem  sobre  Blocos  Econômicos  na  Coleção  Projeto Araribá...................................................................................................................  13
2.2 - Análise crítica do conteúdo Blocos Econômicos apresentado na coletânea Projeto Araribá em relação ao estabelecido pelos PCN's de Geografia para o Ensino Fundamental II........................................................................................... 15
Considerações Finais............................................................................................ 21

Referências Bibliográficas..................................................................................... 23















INTRODUÇÃO


Este Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) tem como escopo análise e produção de material didático para o ensino fundamental II, sendo no decorrer desta produção abordado o tema Geopolítico Mundial: Processo de Regionalização Espaço Mundial em Blocos Econômicos, com base nisso temos aqui uma análise crítica dos livros didáticos de 8º e 9º ano da coleção Projeto Araribá de Fernando Carlo Vedovate, Editora Moderna, quanto ao conteúdo já citado.

Novas formas de se trabalhar e analisar conteúdos voltados para sala de aula, principalmente no ensino fundamental II que é nosso foco, faz parte de uma prática que deve ser constante pelo professor (a) visto que com a evolução da tecnologia e difusão do conhecimento por vários meios requer uma constante revisão dos seus conceitos e formas de ministrar aulas e de acompanhar a evolução de uma geração que não aceita ser simplesmente um reservatório de conteúdo, e sim que o docente busque levar a realidade, “a prática”, para sala de aula por meio de representações.

A metodologia utilizada neste estudo será a pesquisa bibliográfica com intuído de fundamentarmos todas as análises feitas neste trabalho de conclusão de curso tendo como escopo produção de material didático para as séries finais do ensino fundamental II, e como livros a serem analisados a coleção Araribá séries finais do ensino fundamental.

Dividimos esta edição em dois capítulos. No primeiro temos uma breve descrição sobre o assunto, tipos de integração dos blocos econômicos mundiais e abordaremos os principais blocos econômicos do mundo: União Europeia (UE), Acordo Norte Americano de Livre Comércio (NAFTA) e Mercado Comum do Sul (MERCOSUL).
No segundo capitulo abordamos análise da coleção de livros didáticos de geografia "Projeto Araribá" editado por Fernando Carlo Vedovate, nesse momento fizemos uma verificação do conteúdo em questão abordado pelos livros para sabermos se estão de acordo com o estabelecido nos Parâmetros Curriculares Nacionais de Geografia para o ensino fundamental II, com citações de autores respeitados no assunto.
Nossa intenção, além de descrever sobre o tema, é enfatizar o ensino da disciplina de geografia na sala de aula, de forma que possamos contribuir para o exercício da docência e da formação de cidadãos críticos quanto a sua própria realidade e, assim, através deste, faremos uma análise crítica no que tange a abordagem do tema Regionalização do Espaço Mundial em Blocos Econômicos no livro didático.
Este tema é uma dos principais assuntos da atualidade, fruto do sistema capitalista que vigora praticamente em todo mundo, e que se intensificou após o fim da Guerra Fria que deu origem a Nova Ordem Mundial que trouxe uma nova configuração geopolítica mundial sendo um ambiente propicio para formação de acordos econômicos.
Logo, novas formas de se trabalhar e analisar o assunto para sala de aula faz parte de uma prática que dever ser constante pelo professor visto que com a evolução da tecnologia e difusão do conhecimento por vários meios requer um novo olhar para aquilo que se ensina com escopo de atingir os objetivos do plano de aula.











CAPÍTULO  I – Geopolítica Mundial: Processo de Regionalização do Espaço em Blocos Econômicos.

1.1-       Tipos de Integração dos Blocos Econômicos Mundiais.
O âmbito econômico global contemporâneo é formado ou tem como característica o que podemos classificar como globalização, dela surgiu o processo de regionalização do espaço mundial que favoreceu a formação de blocos econômicos. Isso oriundo de uma nova ordem mundial atrelada ao desenvolvimento de novas tecnologias e crescimento de mercado de produção e consumo.
“A crescente interdependência, a maior agressividade comercial, o protecionismo latente, a exigência de vultosos investimentos para desenvolvimento de novas tecnologias, a consequente necessidade de maiores economias de escala e o grande avanço das comunicações têm levado à formação de acordos internacionais e megablocos de países”. (MORAIS JR, DEVANI DE, 2006, p.39).
Assim fatos históricos contribuem para que nações se organizem militarmente e economicamente tendo em vista a permanência ou entrada neste cenário econômico mundial dominado pelo sistema capitalista dando origem a uma comunidade internacional, ou seja, representações que estão acima do poder de estado de cada país, órgãos supranacionais, e essa união se dar por meio de objetivos afins.
“Na realidade, esses mercados internacionais constituem um dos caminhos ou etapas da globalização, da interdependência crescente de todos os países e povos do mundo, de uma ampliação de mercados, enfim.” (VESENTINI, 2005, p. 211).
A integração econômica não é algo fechado em si, ela é uma ferramenta que contribui para melhor inclusão de países na economia internacional através do bloco(s) que fazem parte, na busca por parceria e acordos que permitam melhor negociação sempre em defesa de seus interesses e obtenção de privilégios comerciais que contribuam para seu desenvolvimento e fortalecimento econômico.
“Os blocos econômicos, também chamados de integrações regionais, são uniões de grupos de países com a finalidade de fortalecer o comércio entre si, com vantagens, incentivos e preferências, em relação aos demais países do mundo, tendo como origem a necessidade crescente de novos comércios, da expansão de mercados, de uma sociedade capitalista que busca aumentar cada vez mais as transações comerciais”.(MACHADO, 2011, p.24).
Esses blocos e econômicos podem se qualificados conforme sua formação e finalidade, podendo ser definido como zona de preferência tarifária, zona de livre comércio, união aduaneira ou ainda mercado comum e união econômica monetária.
“ De um modelo de cooperação ao modelo comunitário de integração, cada pais ou grupo de países busca o arranjo  mais conveniente aos interesses nacionais, que podem ser entendidos como sendo as aspirações da população e do governo, a defesa de interesses do governo ou de cidadãos de determinado Estado. Cada Evolução, para fase de maior integração significa maior transferência de temas inerentes a sua soberania para o fórum de decisão comunitário.” (MORAIS JR, DEVANI DE, 2006, p. 40).
Zona de preferência tarifária (ZPT) é pode ser classificada como um processo de integração básico, onde são asseguradas tarifas preferenciais para países que compõem o grupo ou zona, ou seja, tarifas de comercialização para países membros são diferentes quando se tratar de negociação com nações que não fazem parte do bloco; podemos citar como exemplo, ALALC (Associação Latino-Americana de Livre Comércio).
A zona de livre comercio ( ZLC) tem como característica, além de um segundo nível de integração, a eliminação das barreiras tarifárias e também as não - tarifárias que fazem parte do comércio entre os membros da zona de livre comércio. O acordo firmado entre México, Canadá e Estados Unidos, NAFTA – Acordo de Livre Comércio da América do Norte, e um modelo desse tipo de integração.
A união aduaneira tem como característica adotar uma tarifa externa. Aqui um grupo de países aplica para suas importações oriundas nações que não fazem parte do bloco, porém nas transações entre os membros a tarifa é zero, livre circulação.
Com quarto nível de integração temos o mercado comum onde além da livre circulação de produtos, há também a possibilidade de circulação de serviços, capitais e pessoas como aconteceu na União Europeia.
A união econômica monetária pode ser classificada como a etapa mais avançada dentre as fases de integração a qual tem como grupo que já a atingiu a União Europeia, tendo uma moeda comum e uma política monetária unificada e normatizada pelo Banco Central pertencente ao bloco.
Essas fases são de crucial importância para que haja igualdade em termos de capacidade de comercialização entre os membros visto que caso um país não esteja preparado para tal fase ou inclusão em determinado bloco pode prejudicar tanto sua economia quanto a economia do grupo e que consequentemente terá um reflexo no mercado internacional.
“Cabe lembrar que um processo de integração dever nivelar seu participante de modo que as políticas comuns adotadas sejam suportáveis e vantajosas para todos”.( MORAIS JR, DEVANI DE, 2006, p.41).
Uma maneira de agir precipitada de fazer parte de um processo de integração pode aumentar as diferenças entre seus membros, tendo como consequência o abandono do processo e até mesmo a falta de credibilidade dentro e fora do grupo.
Essa abordagem sobre as fase de integração econômica é de grande valia e essencial para que dentro da aplicação do conteúdo processo de regionalização do espaço mundial em blocos econômicos os alunos das séries finais de ensino fundamental possam entender que tudo isso faz parte de um contexto histórico que uni fatores e interesses em comuns entre os países envolvidos.
“Revisões são necessárias, demandando releituras e até ressignificações das práticas pedagógicas e dos conteúdos ministrados. É nesse contexto, ou melhor, nessa perspectiva que as proposições metodológicas podem, de fato, contribuir para potencializar aprendizagens significativas.” (Filizola, 2009, p. 12).

Assim é necessário que o professor, além de incluir as fases de integração no contexto sobre o estudo dos blocos econômicos mundiais, faça uma releitura do assunto no sentido passar para os alunos a visão de um processo que muitas das vezes os países se veem obrigados a participar para não ter sua economia prejudicada visto que no cenário econômico mundial há um teia de dependência dentre as nações que convivem com os sistema capitalista.




1.2 – Principais Blocos Econômicos Mundiais: União Europeia, Mercosul e NAFTA.

A União Europeia é o bloco econômico que encontra – se com estágio ou nível de integração mais elevado, a denominada União Econômica Monetária sendo a etapa mais avançada até o momento alcançada e atualmente formada por vinte e oito países que têm em comum, além de objetivos comerciais, zelar pelo diálogo entre seus membros algo que remontar suas origens pós-segunda guerra.

“Nascida na década de 1950 como Mercado Comum Europeu (MCE) e também conhecida como Comunidade Econômica Europeia (CEE), a União Europeia (UE) foi pioneira. O seu sucesso forneceu o exemplo a ser seguido pelo restante do mundo. O MCE passou a ser chamado de União Europeia em 1993, depois de o Tratado de Maastricht foi aprovado pelos países membros. Foi graças ao seu avanço bem-sucedido que os demais países procuraram criar outros mercados regionais, outros exemplos de integração econômica regional ou continental.” (Vesentini, 2005, p. 211).

Esse é o bloco econômico maior e mais significativo do mundo tendo alcançado o estágio de integração mais avançado existente. As decisões tomadas pelo bloco envolvem as seguintes instituições: Parlamento Europeu, Conselho da União Europeia e Comissão Europeia, e ainda há vários órgãos que desempenham atividades especificas para o sucesso dessa união econômica.

“O maior bloco econômico mundial, conforme descrito em seu site oficial, não é uma federação (país) nem uma organização de cooperação entre governos, como a Organização das Nações Unidas (ONU). Os países que pertencem à União Europeia continuam sendo nações soberanas e independentes, mas congregaram as suas soberanias em algumas áreas para ganharem uma força e uma influência no mundo que não poderiam obter isoladamente”. (Machado, 2011, p. 35).

Porém algumas crises tem afetado esse grupo, crises essas causadas principalmente por aumento da dívida pública de alguns de seus membros como Grécia, grandes números de desempregados como na Espanha, e ainda sentem o abala deixado pela crise imobiliária causada pelo mercado Norte Americano. Atualmente cogita-se a criação de uma constituição para o bloco, algo não aceito por todos.

O MERCOSUL (Mercado Comum do Sul), bloco ao qual o Brasil é membro, tem em sua configuração inicial como integrantes: Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, já como associados Bolívia e Chile. Porém em 2012, tivemos uma mudança nessa configuração com o ingresso da Venezuela em virtude da deposição do ex-presidente paraguaio Fernando Lugo, ato considerado pelo grupo como golpe de Estado levando à suspensão do Paraguai no MERCOSUL.

“O Mercosul foi criado em 26 de março de 1991, em Assunção. Sua sede é em Montevidéu (Uruguai). O Mercosul surgiu inicialmente como zona de livre-comércio, ou seja, de circulação de bens e serviços livres de barreiras tarifárias. Hoje constitui – se com personalidade jurídica de direito internacional, com competência para negociar em nome próprio com terceiros países, grupos de países e organismos internacionais”. (Morais Jr, Devanir de, 2006, p.75).

Esse bloco teve como um de sues principais ganhos quanto a criação a formação de parcerias comerciais entre os demais países do grupo a busca e efetivação de acordos comerciais com a Comunidade Andina, China, Japão, Coréia do Sul, Rússia e com a União Europeia visando atender os objetivos em comum traçados para o alavancamento comercial em suas transações no cenário internacional.

Países esses, ex - colônias, que tiveram uma industrialização marcada pelo atraso em relação aos países desenvolvidos (antigas metrópoles), e que encontraram nesse processo de regionalização do cone sul estratégia para maior ingresso e oportunidades no comércio mundial visto que por estarem em “nível de igualdade de produção” possam tratar de números sem grandes preocupações quanto a entrada de bens industrializados de outros membros em seu território já que em tese a indústria local consegue concorrer em nível de igualdade de produção seguindo a linha do neoliberalismo econômico.

O NAFTA (Acordo de Livre Comércio da América do Norte) é formado por três países Estados Unidos, Canadá e México. Sendo os dois primeiros mais ricos e mais industrializados, ficando no México diversas fábricas que pertencem principalmente aos Estados Unidos servido para a produção de produtos com custos menores o que incluiu mão de obra barata e matéria prima mais acessível.

“Outro exemplo de progressiva integração econômica ocorre na América do Norte, entre Estados Unidos, Canadá e México. Trata – se do Acordo de Livre – Comercio da América do Norte (Nafta), assinado por esses três países em 1993. Em conjunto, eles somam cerca de 400 milhões de habitantes, que geralmente são consumidores de elevado poder de compra (com exceção de grande parte da população mexicana).” (Vesentini, 2005, p. 212).

Temos nesse bloco a presença de duas nações desenvolvidas e uma nação subdesenvolvida.  Com isso é possível? Trata- se de uma área de livre comércio em que de certa forma enxergamos uma desvantagem em termos de capacidade competitiva industrial do México quanto ao demais, mas há benefícios para este último.

“Em oito anos de vigência do Nafta, o México apresentou um surpreendente crescimento. Os investimentos estrangeiros praticamente dobraram de valor, milhões de novos empregos foram criados e as exportações cresceram significativamente, tornando o México o oitavo maior exportador do mundo.” (Morais Jr, Devani de, 2006, p. 105).

Por trás desse acordo estão os interesses de transnacionais e multinacionais em busca de barateamento de sua produção; se observarmos o padrão de vida dos canadenses e norte americano, em relação aos mexicanos, perceberam que é totalmente discrepante o que nos sugere o atual estado de estagnação em termos de processo de integração regional não logra uma evolução assim como ocorreu na união europeia chegando ao maior nível existente na atualidade.

“ Os empregos criados com as novas indústrias são insuficientes para suprir o número de empregos perdidos com a falência inúmeras pequenas indústrias nacionais, incapacitadas de enfrentar a concorrência estrangeira. Também há diminuição dos componentes produzidos no México, visto que as empresas transnacionais importam quase todos os seus implementos. Além disso, 48% dos empregadores não cumprem as obrigações legais, em consequência da flexibilização das leis trabalhistas, trazendo sérios danos ao trabalhador”.( Morais Jr, Devani dee, 2006, p. 105).


CAPÍTULO II - Análise da Coleção de Livros Didáticos de Geografia "Projeto Araribá" Editado por Fernando Carlo Vedovate.

Depois de leituras e citações em relação ao tema geopolítica mundial com enfoque no processo de regionalização do espaço mundial em blocos econômicos estaremos neste segundo capítulo fazendo um análise crítica quanto a esse assunto nos livros didáticos de 8ª e 9ª séries, 3º edição Projeto Araribá, organizado por Fernando Carlo Vedovate.

2.1 – APRESENTAÇÃO DA OBRA.

Como primeiro item a ser analisado da obra é a capa do livro em sua 3ª edição de publicação pela editora Moderna. No livro de 8ª série temos cores suaves e a figura de uma mexicana com trajes típicos que nos remete a um processo de conhecimento no que tange a outros territórios da America e a relação desses com o nosso, no sentido econômico e político. No livro de 9ª série há com imagem festa típica do dragão chinês fazendo com que o aluno logo perceba a ligação do conteúdo com outras culturas, mormente outros continentes. Trazem também a indicação da série e o nome Projeto Araribá Geografia.

As capas desses livros estão adequadas para a faixa etária a que se destinam, porém como são feitas abordagens a nível mundial as figuras deveriam também passar essa ideia, ou seja, algo que fizesse maior conexão a exemplo da figura do globo terrestre com a demarcação dos continentes e linhas fazendo ligação entre eles, além de dar nome a cada livro como, por exemplo, no de 8ª série: O Continente Americano e no livro de 9ª série: Continente Europeu, Asiático, Africano e Oceania.

“(...), ainda algo fundamental: o ponto de partida para construção do conhecimento em alunos de 1º grau deve partir do que há de mais concreto e palpável na relação sociedade-espaço, que é paisagem, pois ela pode ser vista apalpada, medida, mapeada, etc, partindo sempre da ideia de que há algo por trás das paisagens e iniciar a percepção das relações que se estabelecem entre esta e seu espaço.” (Silva, 2004, p. 19).
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Temos como principal autor desses livros Fernando Carlo Vedovate que é Mestre em Ciências, mais especificamente em Geografia Humana, pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, também é Professor e editor de vários livros voltados para sala de aula.

As apresentações desses livros são feitas de forma a resumir os assuntos abordados neles de maneira simples, com citações de Santos e Elliott, sendo o restante do texto repleto de convites para que o aluno possa mergulhar no conteúdo e perceber as principais palavras que serão abordadas ao longo do trabalho.

Os índices dos livros analisados são apresentados de forma bem clara e divididos por unidade contendo em cada uma determinados temas e estando sempre presente no sumário a relação com a disciplina de geografia fato que contribui para uma melhor identificação e abrangência do assunto.

A diagramação dos livros em analise do Projeto Araribá encontra – se de forma bem objetiva com texto principal e pequenos balões para especificação e esclarecimentos sobre alguns termos ou palavras importantes que surgem dentro do tema blocos econômicos e dividi espaço com mapas, na obra há sempre a presença desses itens. Temos com exemplo nas páginas 48 e 49 do livro da 9ª série, os principais blocos econômicos, um mapa mundial colorido de acordo com o bloco do qual a região faz parte e pequenas notas falando da formação e membros de cada grupo.

Essa diagramação está de cardo ao público que se destina visto que há somente o necessário para que o aluno possa se interar sobre o assunto não havendo poluição das folhas com textos ou figuras que não condizem com o tema ou mesmo longos textos que fazem com que o aluno se perca ao longo da leitura a ponto de não contextualizar o assunto abordado ou mesmo fazer uma correta relação com as imagens.

2.2 – Análise Crítica do Conteúdo Blocos Econômicos Mundiais nos Livros Didáticos de Geografia do 8º e 9º Ano do Ensino Fundamental II.

As imagens, representações gráficas e cartográficas, presentes nos livros em análise, estão adequadas ao público que se destina, contendo, em cada uma, fonte, ano e descrição. Sendo essas representações cartográficas apresentadas de acordo com padrões cartográficos internacionais, porém de forma que possa facilitar a compreensão e interação com o conteúdo trabalhado.

Tais itens são de grande relevância para em melhor entendimento do assunto por parte dos alunos visto que ficaria cansativo e extenso descrever uma imagem dentro do livro didático e que não ficaria clara para muitos, logo são peças fundamentais para atividade educativa e isso é utilizado de forma correta na abordagem do livro didático sobre o tema geopolítica mundial, regionalização do espaço mundial em blocos econômicos, fruto de uma maior preocupação que há hoje quanto a produção de material didático.

“ A cartografia é um importante recurso de aprendizagem que não pode ser subutilizada no ensino de geografia. Não queremos abandonar o conteúdo  geográfico em prol de um novo conteúdo – o cartográfico, mas gostaríamos de defender um tratamento mais sério de cartografia no ensino de geografia, principalmente no livro didático.” ( Santos, 2003, p. 111).
A proposta teórica – metodológica apresentada no livro didático em análise organizado por Fernando Carlo Vedovate trás uma abordagem caracterizada como Geografia Crítica presente nos livros didáticos brasileiros a partir da década de 80 sendo essa linha de pensamento base para muitos trabalhos voltados para o estudo da geografia, corrente que se diferencia das anteriores por não se ater somente a descrição de lugares, dados estatísticos e paisagens apresenta um enfoque mais social.

“A década de 80 é marcada por uma outra linha de pensamento geográfico, oposicionista à anterior, que buscava um caminho para a compreensão e a explicação do espaço geográfico. Tinha a orientação marxista, denominada de geografia crítica. Essa linha foi bem aceita por várias instituições, dentre elas destacamos o Departamento de Geografia da USP e  a Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB) em suas várias seções esparramadas pelo território nacional. O importante é que nesta linha e nestas instituições gestaram – se inúmeros trabalhos sobre o ensino e geografia e, em especial, o estudo do livro didático de geografia que influenciaram e continuam a influenciar mudanças no panorama do ensino brasileiro de geografia.” ( Santos, 2003, p.109).

Essa proposta teórica – metodológica abordada no livro em questão abre espaço para que alunos e professores possam vivenciar o conteúdo apresentado visto que é esse o enfoque da geografia crítica dentro da sua abordagem social facilitando dessa forma a interpretação dos fatos e assuntos contidos na obra já fazem parte da realidade dos envolvidos, tanto docentes quanto discentes, servido de suporte para os demais níveis escolares que virão.

É de grande valia citarmos que a geografia crítica nos livros do Projeto Araribá atende aos parâmetros curriculares nacionais de geografia desenvolvidos para o ensino fundamental II a que se destina fazendo com que através deles os alunos possam obter uma melhor formação e assim contribuir para uma sociedade composta por cidadãos mais capazes de fazerem suas colocações e exporem ideias diante de indagações em meio social.

“ O estudo de Geografia possibilita aos alunos a compreensão de sua posição no conjunto das relações da sociedade com a natureza; como e por que suas ações, individuas ou coletivas, em relação aos valores humanos ou à natureza, têm consequências ( tanto para si como para a sociedade). Permite também que adquiram conhecimentos para compreender as atuais redefinições do conceito de nação no mundo em que vivem e perceber a relevância de uma atitude de solidariedade e de comprometimento com o destino das futuras gerações. Além disso, seus objetivos de estudo e métodos possibilitam que compreendam os avanços na tecnologia, nas ciências e nas artes como resultantes de trabalho e experiência coletivas da humanidade, de erros e de acertos nos âmbitos da política e da ciência, por vezes permeados de uma visão utilitarista e imediatista do uso da natureza e dos bens econômicos. Para Milton Santos, a Geografia pode ser entendida com uma filosofia das técnicas.” ( PCN de Geografia, 1998, p. 29).

A linguagem presente nos livros didáticos em análise quanto ao conteúdo Geopolítica mundial é composta por fotografias de jornais e revistas, pequenos escritos indicado um livro, filme ou texto onde há maiores informações em relação ao tema abordado, há também a presença de informações alusivas a sites contendo noticias atualizadas.
Assim os itens citados acima estão contidos nos livros em questão, fato que facilita a compreensão por parte dos alunos visto que estão adequados aos alunos de 8º e 9º ano não havendo obstáculos por conterem uma abordagem simples e clara do conteúdo além da ótima organização dos tópicos de forma que o aluno possa interligá-los ao assunto principal.

Percebe-se em todas as páginas a utilização de imagens, uma associação didática que facilita o trabalho do professor já que não haverá necessidade de apresentar, por exemplo, grandes mapas onde o aluno possa se orientar, fazendo com que o assunto não fique muito abstrato por talvez não fazer parte da vivência do discente.
“A Geografia ao ser estudada, tem que considerar o aluno e a sociedade em que vive. Não pode ser uma coisa alheia, distante, desligada da realidade. Não pode ser um amontoado de assuntos, ou lugares (partes do espaço) onde os temas são soltos, sempre defasados ou de difícil compreensão pelos alunos. Não pode ser feita apenas de descrições de lugares distantes ou de fragmentos de espaço. Especificamente nos tópicos referentes à natureza é feita uma abordagem classificatória e descritiva. A Geografia que o aluno estuda deve permitir que ele se perceba como participante do espaço que estuda, onde os fenômenos que ali ocorrem são resultados da vida e do trabalho dos Homens e estão inseridos num processo de desenvolvimento. Além disso, é necessário fazer a interação entre os elementos da natureza, compreender que muitos processos naturais têm relação uns com os outros.” (Silva, 2004, p. 4).
O aluno nessa faixa etária de sua aprendizagem já pode começar a compreender o significado da política e dos conflitos étnicos e sociais que ocorrem no interior da sociedade. Nessa nova ordem, trazer para a explicação o significado da importância dos grandes organismos internacionais que foram criados para mediar às relações internacionais entre os Estados, povos e nações do mundo.
Realçamos que a linguagem cartográfica presentes nos livros atende a normas internacionais para sua correta interpretação onde o aluno pode verificar os pontos cardiais, título, legenda, cores, símbolos e demais informações que facilitam a interpretação de forma didática sempre havendo uma preocupação quanto ao público que se destina e sua finalidade escolar.

A linguagem contida nos livros a serem escolhidos por professores não pode ser feita para o professor, deve se pensar na forma com tal linguagem serão encaradas pelos alunos, seguindo orientação dos parâmetros curriculares nacionais que orienta também a utilização de diferentes linguagens, como verbal, musical, matemática, gráfica, plástica e corporal, como, por exemplo, a figura abaixo trás informações se valendo da matemática, cartografia e texto complementar além de sua fonte.


As atividades encontradas no livro didático são compostas por perguntas contendo geralmente de três a cinco itens para serem respondidos em relação ao assunto trabalhado ocupando normalmente uma página do livro. Ainda podemos notar a presença textos para leitura e logo após o autor propõem algumas perguntas alusivas ao texto para que o aluno possa expor ali seu nível de entendimento quanto às informações lidas.

Na atividade elaborada quanto ao assunto geopolítica mundial – blocos econômicos, percebemos como ponto negativo a atividade da página 56, que deveria trazer algumas perguntas mais claras sobre blocos econômicos, porém não apresenta, perguntas sobre o assunto deveria constar já que é o primeiro item trabalhado no tema: Globalização e organizações econômicas.

Como ponto positivo podemos citar a oportunidade de acesso a textos complementares por parte dos alunos sobre o assunto e após leitura no quesito atividade responder de acordo com que entendeu no texto algumas indagações quanto ao assunto trabalhado abrindo espaço para o aperfeiçoamento da leitura e interpretação de texto.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A análise crítica dos livros didáticos de 8º e 9º ano do Projeto Araribá realizada até aqui juntamente com os textos produzidos e citações oriundas de uma pesquisa bibliografia sobre o tema Regionalização do Espaço Mundial em Blocos Econômicos no contexto da Geopolítica Mundial dentro dos livros em análise nos proporciona a capacidade de darmos ou enxergarmos as diversas interpretações que podem ser extraídas do material didático trabalhado em sala de aula.
Nesse dilema a formação do professor de Geografia, na área, é de grande valia no que tange à contribuição para elaboração de agenda pedagógica, plano de aula e atuação como educador visto que o olhar do geógrafo se diferencia dos demais profissionais da educação e que tem como consequência um melhor resultado em sala de aula e contribuição para a formação de cidadãos críticos e prontos para contribuírem para uma sociedade mais solidária e participativa.
Ao longo dessa pesquisa podemos perceber tanto dentro dos livros em análise quanto nos livros e sites citados durante esse trabalho um harmonia quanto à trajetória história do processo de formação dos blocos econômicos mundiais e principalmente os mencionados nesse TCC: MERCOSUL, UE e NAFTA, além de uma linha didática pedagógica que é a Geografia Crítica.
As imagens, representações gráficas, cartográficas, proposta teórica, linguagem, capa, introdução, sumário, figuras, conteúdo e atividades contidos nos livros no projeto araribá, 8º e 9º ano estão adequados ao público a que se destina sendo ferramentas primordiais para que o aluno possa interpretar o assunto blocos econômicos de acordo com seu nível de interpretação e vivência de mundo.
Conclui-se que a Geopolítica Mundial – Processo de Regionalização do Espaço Mundial em Blocos Econômicos, abordado atendem também aos Parâmetros Curriculares Nacionais de Geografia, referência primordial para elaboração de material didático aliado aos demais já mencionados acima sendo sua produção especifica para a faixa etária a que se destina levando-se em consideração o grau de abstração ou interpretação dos discentes.
Além disso, a produção conta indicação de obras como Demétrio Magnoli, com título União Europeia: história e geopolítica, onde é abordada a evolução histórica desse bloco, e suas características internas, uma prática constante ao longo dos livros em análise que contribui para que o aluno possa aprofundar conhecer outras fontes quanto ao assunto estudado, sendo também indicado filmes e músicas com o mesmo objetivo e que podem ser levados para o ambiente escolar e trabalhando em sala de aula.
Os elementos colocados nas considerações finais desse trabalho adquiridas ao longo da pesquisa irão contribuir para que como professores de geografia saibamos da importância e cuidado que devemos tomar na hora de selecionarmos os livros didáticos que serão trabalhado durante o ano letivo, sempre alerta para que não venhamos a colocar nas mãos de nosso alunos livro com linguagem inadequada, que tragam informações imprecisas, imagens obsenas, dados desatualizados, ou mesmo colocações feitas pelo autor que possa incitar a violência ou mesmo preconceito étnico e racial.
Nos livros de 8º e 9º ano analisados nesse trabalho percebemos também o cuidado que o organizador da obra teve em sempre fazer uma abordagem do conteúdo levando em considerações os itens citamos no parágrafo anterior, realçamos ainda que tais orientações já fazem parte dos parâmetros curriculares nacionais, sendo referência para produção de material didático.
Conclui-se dessa forma que os livros didáticos em questão são corretamente indicados para os alunos do ensino fundamental II, de 8º e 9º ano a que se destinam sendo meio didático para prático do ensino, sendo de grande importância aliado a capacidade profissional do professor tanto na escolha do livro quanto na sua manipulação durante as propostas de aula.






REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


Acordo Norte-Americano de Livre Comércio (NAFTA). Disponível em: http://www.camara.gov.br/mercosul/blocos/NAFTA.htm. Acesso em: 13/10/2013.

BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais: geografia. Brasília, 1998, p. 156.

Machado, José Luiz. Blocos econômicos no panorama mundial: análise geográfica e econômica, ed. Ibpex, 2011.

Menezes, Alfredo da Mota. Integração regional: blocos econômicos nas relações internacionais/Alfredo da Mota Menezes, Pio Penna Filho. - Rio de Janeiro: 2006

Morais Júnior, Devani de. Comércio internacional: blocos econômicos. / Devani de Morais Júnior; Rodrigo Freitas de Souza. - Curitiba: ibpex, 2006, 147 p.: il.

O Mercosul. http://www.mercosul.gov.br/saiba-mais-sobre-o-mercosul. Acesso em: 13/10/2013.

Santos, Clézio. A cartografia nos livros didáticos de geografia: contrapontos de uma pesquisa. Ver. Ciênc. Hum, Taubatê, v.9 p. 107 – 114 2003.

Silva, Dakir Larara Machado da. A geografia que se ensina e a abordagem da natureza nos livros didáticos. UFRS, 2004

União Européia. Disponível em: http://europa.eu/about-eu/index_pt.htm.  Acesso em 13/10/2013.  

Vesentine, José William. Geografia: geografia geral e do Brasil, 1 ed. São Paulo: Ática, 2005.



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quinta-feira, 3 de outubro de 2013

A quem serve a transposição do São Francisco?

A quem serve a transposição do São Francisco?,

24-02-2005
A quem serve a transposição do São Francisco?, artigo de Aziz Ab’Saber Aziz apresentou este texto no debate na ‘Folha de SP’ sobre a transposição do Rio São Francisco, em que se manifestou contrário à obra Aziz Ab'Sáber é geógrafo, professor-emérito da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, professor convidado do Instituto de Estudos Avançados da USP, ex-presidente e presidente de honra da SBPC. Artigo publicado pela ‘Folha de SP’:

É compreensível que em um país de dimensões tão grandiosas, no contexto da tropicalidade, surjam muitas idéias e propostas incompletas para atenuar ou procurar resolver problemas de regiões críticas.
Entretanto, é impossível tolerar propostas demagógicas de pseudotécnicos não preparados para prever os múltiplos impactos sociais, econômicos e ecológicos de projetos teimosamente enfatizados.
Tem faltado a eventuais membros do primeiro escalão dos governos qualquer compromisso com planificação metódica e integrativa, baseada em bons conhecimentos sobre o mundo real de uma sociedade prenhe de desigualdades.
Nesse sentido, bons projetos são todos aqueles que possam atender às expectativas de todas as classes sociais regionais, de modo equilibrado e justo, longe de favorecer apenas alguns especuladores contumazes. Pessoalmente, estou cansado de ouvir propostas ocasionais, mal pensadas, dirigidas a altas lideranças governamentais.
Nas discussões que ora se travam sobre a questão da transposição de águas do São Francisco para o setor norte do Nordeste Seco, existem alguns argumentos tão fantasiosos e mentirosos que merecem ser corrigidos em primeiro lugar.
Referimo-nos ao fato de que a transposição das águas resolveria os grandes problemas sociais existentes na região semi-árida do Brasil. Trata-se de um argumento completamente infeliz lançado por alguém que sabe de antemão que os brasileiros extra-nordestinos desconhecem a realidade dos espaços físicos, sociais, ecológicos e políticos do grande Nordeste do país, onde se encontra a região semi-árida mais povoada do mundo.
O Nordeste Seco, delimitado pelo espaço até onde se estendem as caatingas e os rios intermitentes, sazonários e exoreicos (que chegam ao mar), abrange um espaço fisiográfico socioambiental da ordem de 750.000 quilômetros quadrados, enquanto a área que pretensamente receberá grandes benefícios abrange dois projetos lineares que somam apenas alguns milhares de quilômetros nas bacias do rio Jaguaribe (Ceará) e Piranhas/Açu, no Rio Grande do Norte.
Portanto, dizer que o projeto de transposição de águas do São Francisco para além Araripe vai resolver problemas do espaço total do semi-árido brasileiro não passa de uma distorção falaciosa.
Um problema essencial na discussão das questões envolvidas no projeto de transposição de águas do São Francisco para os rios do Ceará e Rio Grande do Norte diz respeito ao equilíbrio que deveria ser mantido entre as águas que seriam obrigatórias para as importantíssimas hidrelétricas já implantadas no médio/baixo vale do rio -Paulo Afonso, Itaparica, Xingó.
Devendo ser registrado que as barragens ali implantadas são fatos pontuais, mas a energia ali produzida, e transmitida para todo o Nordeste, constitui um tipo de planejamento da mais alta relevância para o espaço total da região.
De forma que o novo projeto não pode, em hipótese alguma, prejudicar o mais antigo, que reconhecidamente é de uma importância areolar. Mas parece que ninguém no Brasil se preocupa em saber nada de planejamentos pontuais, lineares e areolares. Nem tampouco em saber quanto o projeto de interesse macrorregional vai interessar para os projetos lineares em pauta.
Segue-se na ordem dos tratamentos exigidos pela idéia de transpor águas do São Francisco para além Araripe a questão essencial a ser feita para políticos, técnicos acoplados e demagogos: a quem vai servir a transposição das águas? Uma interrogação indispensável em qualquer projeto que envolve grandes recursos, sensibilidade social e honestas aplicações dos métodos disponíveis para previsão de impactos.
Os ‘vazanteiros’ que fazem horticultura no leito dos rios que ‘cortam’ -que perdem fluxo durante o ano- serão os primeiros a ser totalmente prejudicados. Mas os técnicos insensíveis dirão com enfado: ‘A cultura de vazante já era’.
Sem ao menos dar qualquer prioridade para a realocação dos heróis que abastecem as feiras dos sertões. A eles se deve conceder a prioridade maior em relação aos espaços irrigáveis que viessem a ser identificados e implantados.
De imediato, porém, serão os fazendeiros pecuaristas da beira alta e colinas sertanejas que terão água disponível para o gado, nos cinco ou seis meses que os rios da região não correm. É possível termos água disponível para o gado e continuarmos com pouca água para o homem habitante do sertão.
Nesse sentido, os maiores beneficiários serão os proprietários de terra, residentes longe, em apartamentos luxuosos em grandes centros urbanos.
Sobre a viabilidade ambiental pouca coisa se pode adiantar, a não ser a falta de conhecimentos sobre a dinâmica climática e a periodicidade do rio que vai perder água e dos rios intermitentes-sazonários que vão receber filetes das águas transpostas.
Um projeto inteligente e viável sobre transposição de águas, captação e utilização de águas da estação chuvosa e multiplicação de poços ou cisternas tem que envolver obrigatoriamente conhecimento sobre a dinâmica climática regional do Nordeste.
No caso de projetos de transposição de águas, há de ter consciência que o período de maior necessidade será aquele que os rios sertanejos intermitentes perdem correnteza por cinco a sete meses. Trata-se porém do mesmo período que o rio São Francisco torna-se menos volumoso e mais esquálido. Entretanto, é nesta época do ano que haverá maior necessidade de reservas do mesmo para hidrelétricas regionais. Trata-se de um impasse paradoxal, do qual, até agora, não se falou.
Por outro lado, se esta água tiver que ser elevada ao chegar a região final de seu uso, para desde um ponto mais alto descer e promover alguma irrigação por gravidade, o processo todo aumentará ainda mais a demanda regional por energia.
E, ainda noutra direção, como se evitará uma grande evaporação desta água que atravessará o domínio da caatinga, onde o índice de evaporação é o maior de todos? Eis outro ponto obscuro, não tratado pelos arautos da transposição.
A afoiteza com que se está pressionando o governo para se conceder grandes verbas para início das obras de transposição das águas do São Francisco terá conseqüências imediatas para os especuladores de todos os naipes.
Existindo dinheiro - em uma época de escassez generalizada para projetos necessários e de valor certo -, todos julgam que deve ser democrática a oferta de serviços, se possível bem rentosos. Será assim, repetindo fatos do passado, que acontecerá a disputa pelos R$ 2 bilhões pretendidos para o começo das obras.
O risco final é que, atravessando acidentes geográficos consideráveis, como a elevação da escarpa sul da chapada do Araripe -com grande gasto de energia!-, a transposição acabe por significar apenas um canal tímido de água, de duvidosa validade econômica e interesse social, de grande custo, e que acabaria, sobretudo, por movimentar o mercado especulativo, da terra e da política. No fim, tudo apareceria como o movimento geral de transformar todo o espaço em mercadoria.
(Folha de SP, 20/2)


Disponível em: http://www.brasilcidadao.org.br/noticias/textos.asp?id=85