quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Despedida

No último dia do ano nos braços da amada,
Presença de pessoas queridas,
Mais uma partida de futebol com amigos,
Bola nas mãos, abraço.

Depois ao chão já sem vida,
E todos a se perguntarem -- O QUE HOUVE?
O gol não terá mais suas mãos para defendê-lo,
Sua amada não o terá nos abraços.

Sua consciência se vai,
Seu corpo se desagrupa,
Farás parte agora de um novo ser.

Sua matéria estará sempre entre nós,
Seu eu em nós, nossas mentes,
Saudações merecidas na despedida.


A morte

Quando colocaremos o ponto final?
A morte não deve ser vista como vilã,
É um presente dado ao ser cansado,
Àquele que já não tem o que conquistar.

E quando chega em idade produtiva?
Dentre todas as realizações,
Sabemos que ela é a única certeza,
Por isso tentamos retardá-la.

Cada dia a menos, nossa morte,
Mais nos aproximamos da extremidade,
O último suspiro, o último olhar.

Sem nossos sentidos não a encontraremos,
Nunca saberemos responder como é morrer,
Exceto aquele que nos assiste.


sábado, 29 de dezembro de 2018

Um beija-flor

Um beijar-flor fez um ninho,
Teve dois filhinhos,
Tudo no seu ninho,
Com muito amor e carinho.

Alimentou-os até ganhar asas,
Para voar, cantar, a vida tocar,
Andar pelas flores, beijar,
Dar vida a novas vidas.

A mamãe não teve sorte,
Entrou em uma casa e não saiu,
Apenas seu corpo regressou.

Mas sua missão foi honrada,
Fez seu ninho com linho,
E cuidou muito bem dos seus filhinhos.

Nuvens

Do sofá vejo muitas nuvens no céu,
Elas são brancas como papel,
Agora com uma forma,
Depois nova imagem.

Oh nuvem quem segura teu pincel?
A cada instante que olha para ti a vejo diferente,
Um novo rosto, um animal, uma mulher, um casal,
Queria ter tempo para apreciá-la mais.

Sei que por trás de ti está o azul,
Que logo aparecerá,
Enquanto isso, pinte mais para mim.

Surpreenda-me com aquilo que nunca vi,
Force minha mente a compreender-te,
Ver aquilo que nunca vi.


Uma Fotografia

Tudo que tenho cabe em uma fotografia,
Três formas no mesmo espaço, alegria,
Talento de Deus  posso ver todo dia,
Tristeza não mora em mim, sim harmonia.

Ao fundo da imagem céu azul sorridente,
Andando estão as nuvens, eu contente,
Amor construído, esmerado, permanente,
A vida caminha a passos lentos, atente.

Penso em ser rico, mas sou,
Por muitas vezes ela orou,
Pela nossa saúde ficou.

O amanhã não me importa,
Olho apenas a carta,
O dia de mesa farta.


sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Quadro da Vida

Nascemos, obra prima da natureza,
Para alguns com caminho traçado,
Para mim uma tela em branco,
A ser preenchida por nós.

Quem dará apreço a tua tela?
Que sejas tu também curador,
Talvez nova pintura hás de fazer,
Quando te perderes nas pinceladas.

Um novo quadro há desabrochar,
Cores suaves, agradáveis, no ar,
E nos últimos rabiscos a plenitude.

Pintores da vida samos,
Cada um à sua maneira,
Com o pigmento disponível.

domingo, 16 de dezembro de 2018

Deus

Mesmo que eu tente não compreendo Deus,
Também sei que não é para sê-lo,
Há conceitos prontos,
Aos quais temos livre arbítrio na escolha.

O que fazer quando não cabem em nós?
É difícil para o ser racional negar a si mesmo,
Creio que se o faz não resistirá por muito,
Partem para uma construção de Deus.

Para confortar seu espirito na caminhada,
Justificar para si o que acha ser justificável,
Nos trilhos da ética,

Estaria o homem dando consciência a Deus?
......................................................................,
Talvez perde-se-ria à procura de  Deus.


Minha Existência

O ser já existe antes da geração no ventre da mãe?
O pouco do eu universal se faz em mim,
Embora não saibamos explicar essa divisão,
Ou  mesmo se samos consultados a nascer.

Para nos submetermos a regras divinas,
Precisaríamos conhecê-las antes,
Simples é seguir a massa,
Difícil é nos encontramos na jornada.

Reconstruirmos tudo aos nossos olhos,
Derrubar muros, aquietar nossa mente,
Preenchê-la, mesmo que com o irracional.

Ao longo da vida,  questionar,
Sempre que nova lâmpada se acender,
Proposito da vida em si mesmo é uma escolha.






Nós

Samos individuais, embora dez trilhões em um,
Uma consciência micro coletiva,
Resultado de muitas vontades,
Cada uma formando uma sociedade em si.

Que há de errado quando não se combinam?
O indivíduo paga o preço ou elas?
Samos nós mesmos ou elas?
Talvez sejamos o abstrato.

Parte da energia do universo,
Abrigada em um templo material,
Que se agrupa e desagrupa.

Vivemos por nós, pela espécie,
Pela sua continuidade e aperfeiçoamento,
Mesmo inconscientes de nós.






sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Sono

É noite e o sono ainda não chegou,
Não basta fechar os olhos e tentar,
Há um conjunto de fatos que não sei explicar,
Para que assim na cama meu corpo possa descansar.

Enquanto isso a imaginação foge do meu controle,
O cérebro quer trabalhar, sonhando acordado,
Talvez na ânsia que o amanhã venha,
Sei que tenho algo a fazer.

Enquanto escrevo meus olhos ardem,
Mas ainda não é sono, irritação,´
É melhor fechar os olhos mais uma vez.

Não tenho controle sobre o tempo,
Não tenho contro sobre o sono,
Não posso controlar, não posso comprar.

Bilhete de Loteria

A dois passos de um bilhete de loteria,
Dentro desse espaço imagino a sorte,
Penso na possibilidade de comprá- lo,
E no arrependimento de não fazê - lo.

Já pensou o peso que seria uma contemplação sem  mim?
Às vezes que isso iria ficar martelando na minha cabeça?
Ficar em casa pelo tempo que eu quiser,
Trabalhar somente por prazer e satisfação.

É tão grande o leque de coisas boas,
Menina, boa tarde, um bilhete  por favor,
Vou tirar esse peso das minhas costas.

Se não der certo, não será a primeira vez,
Nem a última a tentar,
Dizem que só ganha quem joga, então apostarei.

União?

Unidos até que ponto?
As regras acordadas são quebradas,
O prazer está acima da relação,
Melhor seria ao contrário?

A cada nova aventura o laço se desfaz,
Hoje  encontram - se indiferentes,
Juntos sob o mesmo teto,
Mas distantes ao mesmo tempo.

As posses estão acima do sentimento,
Uma correspondência o outro não pode ver,
Mas é permitido um mundo próprio.

Novas regras são criadas,
Em concordância ou por conta do tempo,
Conceitos e padrões deixados de lado.

Humanos

São humanos, sim humanos,
Sujeitos a interferências supremas,
De um lado o bem e do outro o mal,
A ditarem o ritmo de nossas vidas.

Se assim fosse seriamos fantoches,
Peças de uma jogo de grandes,
Que covardia, não samos da mesma classe,
Mas também pensamos e temos imaginação.

Samos formigas aos pés de gigantes,
Mas temos nossa liberdade interior,
Nela podemos nos igualar à arte divina.

Quem sabe tenhamos a contribuir,
A inteligência nos foi dada, não sufocada,
Também samos grandes dentro de nós.

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Jenipapeiro

Verdes árvores frutos dão,
Foram sete anos para senti-los em mim,
Vê - los cair, crescer, nascer, flores,
Seu gosto me agrada.

Sinto-me bem  sob sua sombra,
Frescor da natureza, tua beleza,
Casas ao seu redor,
Entre vivos e mortos.

Ninhos em suas galhas,
A luz do sol não penetra,
Seu rico folhear.

Não deixo de me encantar,
Sempre que passo perto de ti,
Tenho sempre que parar e te olhar.

Marcionilia

O sorriso se foi, não o verei,
Algo em nosso frente que não notamos,
Sua falta será percebida,
Sua breve jornada aqui.

Sinto falta do que não vivi,
Daquilo que poderia me ensinar,
Mas sua alegria já diz muito,
Felicidade pela sua existência.

Que seus passos sejam iluminados,
Sua jornada de auxilio continue,
Por onde seus  pés passarem.

Que tenham  você mais,
Aproveitem da sua companhia,
Enquanto tempo houver.

Verbo

Ler, escrever e ver,
Entender, crescer, renascer,
Reescrever, reler, rever,
Viver, adormecer, morrer.

Desintegrar, separar, desamarrar,
Pensar, sonhar, orar,
Se elevar, salvar, amar,
Não pular, continuar, andar.

Impedir, pedir, mentir,
Fingir, corrigir, agir,
Ferir, infligir, rir.

Ler para desintegrar, impedir,
Entender é pensar, fingir,
Reescrever para se elevar, ferir,
Viver, não pular, rir.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Minha Comida

Ao raiar do sol, me levanto,
Como um raio me  desloco,
Para alimentar meu alimento,
Que triste, não o encontro.

O que houve? Me pus a perguntar,
Se aqui estou por que não tu?
Certo com a noite e o dia,
Para mim era tua presença.

Mas agora não o vejo,
Talvez uma raposa ereta queira tua companhia,
Em um das refeições do dia.

Prefiro imaginar que estejas a vagar,
Andando sem se preocupar,
Com alimento que iria te dar.

Choro de Anjo

De dentro de um poema, lá fora,
Ouço um anjo a chorar, gritar,
Meus olhos, cachoeiras, por isso,
Que te afliges meu pequeno?

Tu és obra da natureza e tua,
Oh! passarinho, triste no ninho,
Não cantas, então faz chover
Água a cair dos teus olhos.

Não podes escolher o berço,
Nem mesmo a árvore tua,
Fazem de ti  a presa para a caça.

Mas teu voo um dia há de sair,
Então verás teus pés no passado,
Isso apenas tu poderás mudar.

Navegar

É noite e minhas mãos a tocar teu rosto,
Na escuridão, elas são olhos a te esculpir,
Fusão dos sentidos sinto a ti
O calor, então me atraco no teu porto.

Feliz por não estar morto,
Assim continuar a navegar nas ondas,
Atento ao teu apito de direção,
À mergulhar nas tuas profundezas.

Nesse movimento a chuva vem,
Sinto o sal do teu corpo na minha boca,
Oceano dentro de mim por ti.

O tempo se tonar meu inimigo ao passar,
Mas sei que a noite é tua, repousar,
Alegre saiu do teu porto, mais vivo.


domingo, 9 de dezembro de 2018

Desconhecido

De repente  um ser à sua frente, sorridente,
Vem de tão distante mesmo com mau tempo,
Em companhia de uma amigo, sangue meu,
Por pouco tempo quer ficar, enquanto isso um cigarro a fumar.

Mesmo com sorriso no rosto ficamos no silêncio,
Silêncio em meio ao desconhecido, teu riso,
O que fará nossa conversa fluir?
Não sei nada de ti e nem tu de mim.

Não vejo como romper a barreira,
Parece que um destino contraditório colocou  nós dois no mesmo lugar,
Porque no ar paira a indiferença.

Na hora do adeus, não ficou o sonho de regresso,
Parece algo apenas para questionar, uma razão,
Descubra o que há de semelhante a te no outro, talvez última chance.